As orquídeas transcendem a simples decoração, sendo verdadeiros símbolos de afeto e memórias familiares que atravessam gerações. Com raízes históricas profundas, estudos genéticos revelam que essas plantas existem há mais de 80 milhões de anos. Originárias do Hemisfério Norte, elas se diversificaram nos trópicos nos últimos 5 milhões de anos, compondo hoje uma das maiores famílias botânicas do mundo, com aproximadamente 30 mil espécies.
A origem de um legado em Toledo
No oeste paranaense, a família Dalmazzo transformou o cultivo dessas flores em um projeto de vida. O Orquidário Ana Maria, localizado em Toledo, reflete a herança afetiva que Ana Maria recebeu de sua mãe. O que começou como um hobby, cultivado com apenas dez mudas, evoluiu para uma estrutura profissional de 1.800 metros quadrados que abriga hoje cerca de 32 mil exemplares.
O percurso não foi isento de obstáculos. Após uma geada severa nos anos 2000 dizimar a produção, o casal decidiu apostar na profissionalização. “No início, não era nada comercial, mas logo estava cheia, e pensei: ‘vamos fazer algo comercial’. Fizemos a primeira estufa nos anos 2000, e rapidamente ficou cheia. Hoje, já se passaram 26 anos”, recorda Orlando.
Aprendizado prático e desafios climáticos
Sem acesso facilitado à informação ou tecnologia na época, o casal precisou aprender na prática. “É uma coisa demorada, não se consegue fazer todo o ciclo sozinho, é preciso ter parceiros. Naquela época, desenvolver tudo foi bem difícil”, lembra Orlando. A gestão do espaço exigiu adaptações constantes, como explica Ana Maria: “Tivemos desafios com o clima, o que eu podia pôr na mesma estufa, sombreamento, os tipos, as variedades, porque nem todas são iguais e cada uma exige seu cuidado. Um dia um colega mais experiente nos disse: ‘o ideal é não colocar todas no mesmo lugar, espalhe-as’. Levamos isso a sério e hoje cada planta tem seu lugar”.
A participação em exposições foi fundamental para o crescimento do negócio. Segundo Ana Maria, “Íamos em algumas cidades, participávamos de exposições, o que valorizou o aprendizado, a troca de informações e ajudou a atrair novos clientes. Foi o momento em que as pessoas começaram a conhecer a gente”.
Resiliência e conexão com o público
O cotidiano no orquidário é marcado por regas, adubações e técnicas como o tutoramento. Durante a pandemia, o interesse pelo cultivo doméstico impulsionou as vendas: “De repente, choveu cliente de todo lado e quase ficamos sem plantas. As pessoas começaram a olhar para dentro de casa, a buscar aconchego e vida no lar. Foi um ano que comercializamos muitas plantas”, compartilha Orlando.
Ao refletir sobre a trajetória, o casal celebra o sucesso alcançado. “Começamos sem experiência, instrumentos, tudo no achismo, mas fomos construindo com troca de experiências, e deu certo”, afirma Orlando. Para os visitantes, o espaço vai além de uma floricultura comum. Ana Maria finaliza: “Os clientes brincam: ‘vocês vão viver aqui até 100 anos’. Trabalhamos para proporcionar experiências, para que não se sintam dentro de uma floricultura padronizada, mas em um mundo mágico, e o cliente se encanta”.








