A ambientalista e ativista política baiana Manuella Tyler
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A ambientalista e ativista política baiana Manuella Tyler, que entrou na Justiça contra a vereadora do Rio de Janeiro Alana Passos (PL) por declarações consideradas transfóbicas, é natural de Juazeiro, no norte da Bahia, e atua na defesa dos direitos humanos e da população LGBTQIA+. Na quinta-feira (22), o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) condenou Alana a pagar multa de R$ 15 mil e determinou a retirada definitiva do vídeo publicado no Instagram.
Manuella construiu sua trajetória política em Juazeiro, no norte da Bahia, com atuação em pautas relacionadas aos direitos humanos, à população LGBTQIA+ e à preservação ambiental.
Em 2024, ela concorreu a uma vaga na Câmara Municipal de Juazeiro pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e ficou como primeira suplente. Em 2026, filiou-se ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) para disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados. Ela ficou como suplente.
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Na área ambiental, Manuella atua em iniciativas de preservação do Rio São Francisco. Em outubro de 2025, por exemplo, idealizou uma ação de limpeza das margens da Ilha do Fogo, entre Juazeiro e Petrolina (PE), que reuniu voluntários para retirar resíduos e plantar mudas nativas.
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Ela também participou de uma mobilização para retirar de Juazeiro uma estátua em homenagem ao ex-jogador de futebol Daniel Alves, após a condenação dele por estupro na Espanha. A iniciativa foi mencionada em um requerimento apresentado na Câmara dos Deputados em reconhecimento à atuação da ativista no enfrentamento à violência contra as mulheres.
Manuella Tyler participou de uma mobilização para retirar de Juazeiro uma estátua em homenagem ao ex-jogador de futebol Daniel Alves
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Selfie com Lula teve repercussão nacional
Manuella ganhou projeção nacional em fevereiro de 2026, durante as comemorações dos 46 anos do Partido dos Trabalhadores (PT), realizadas em Salvador.
Manuella ganhou projeção nacional em fevereiro de 2026, durante as comemorações dos 46 anos do Partido dos Trabalhadores (PT), realizadas em Salvador.
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Na ocasião, ela se aproximou do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), conversou com ele e tirou uma selfie. Um trecho da transmissão do encontro viralizou nas redes sociais e gerou especulações sobre a reação da primeira-dama, Janja.
Após a repercussão, Manuella se manifestou publicamente sobre os ataques que passou a receber nas redes sociais e classificou parte das reações como transfóbicas.
Entenda a condenação de Alana Passos
Ação contra Alana Passos (à esquerda) foi movida por Manuella Tyler (à direita)
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A ação movida por Manuella questionou um vídeo publicado no Instagram em que Alana Passos criticou a articulação para formar uma bancada trans na Câmara dos Deputados.
Na gravação, a então candidata a deputada federal afirmou que a iniciativa representaria uma “contaminação da juventude” e pediu que mulheres cisgênero — chamadas por ela de “mulheres biológicas” — evitassem votar em candidatas trans que pudessem integrar o grupo.
“Está tendo um movimento para criar a primeira bancada trans na Câmara dos Deputados Federais. E aí eu pergunto a vocês, será que até quando nós iremos permitir que uma minoria barulhenta tome os nossos espaços como mulheres biológicas? Elas chegarão no Congresso pra quê? Pra nos atacar? Pra nos chamar de imbecis? Pra chamar de lixo, escória da sociedade? É isso que você mulher biológica deseja?”, disse Alana no vídeo.
Em nota, Alana Passos afirmou que respeita as decisões judiciais, mas destacou que a condenação cabe recurso e que vai recorrer em todas as instâncias para provar que não cometeu irregularidades.
A vereadora também criticou a decisão, que, segundo ela, trata a liberdade de expressão e a defesa das mulheres como motivos de condenação. A parlamentar disse que seguirá defendendo suas convicções pelos meios legais e que confia na reavaliação do caso.
Na decisão, o relator do processo, Gustavo Teles Veras Nunes, entendeu que as declarações ultrapassaram os limites da crítica política e configuraram discurso discriminatório. Segundo o magistrado, o conteúdo não se restringiu a questionamentos sobre propostas legislativas ou posições partidárias, mas atingiu diretamente a identidade de gênero das candidatas.
O tribunal também reconheceu a ocorrência de violência política de gênero e ressaltou que a liberdade de expressão não pode servir de proteção para manifestações discriminatórias.
Além da multa de R$ 15 mil, o TRE-BA confirmou a ordem de retirada definitiva do vídeo e de eventuais reproduções idênticas.
A defesa de Alana alegou que a Justiça Eleitoral baiana não teria competência territorial para julgar o caso. O argumento foi rejeitado pelo tribunal, que considerou que a publicação poderia atingir o eleitorado e a imagem pública de Manuella na Bahia.
O Facebook Serviços Online do Brasil Ltda. foi excluído do polo passivo da ação por ter cumprido a determinação judicial de retirada do conteúdo. A empresa permaneceu no processo como terceira interessada.
Para Manuella, a decisão representa um avanço no enfrentamento à transfobia e na defesa da participação política de pessoas trans.
“A política precisa ser um espaço de disputa de ideias, não de perseguição a pessoas por quem elas são. Quando uma candidata usa sua campanha para deslegitimar mulheres trans e estimular sua exclusão dos espaços de poder, isso não pode ser tratado como uma simples opinião. Estamos falando de dignidade, de direitos políticos e do direito de disputar eleições sem ser alvo de discriminação”, afirmou.
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Quem é Manuella Tyler, ativista baiana que venceu ação contra vereadora do Rio de Janeiro por transfobia

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