–:–:–
Conecte-se conosco

Cinco policiais viram réus por morte de jovem em Colatina

Veículo conduzido pela vítima foi alvo de mais de 40 disparos após quatro tentativas de abordagem no Noroeste capixaba.

4 visualizações
5 policiais viram réus por morte de jovem durante abordagem com mais de 40 tiros em Colatina

A Justiça capixaba aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado e transformou cinco policiais militares em réus pela morte de Danilo Lipaus Matos, de 20 anos. O homicídio ocorreu na madrugada do dia 1º de fevereiro de 2025, em Colatina, região Noroeste do Espírito Santo, quando o jovem foi atingido por cinco tiros durante uma ação da corporação.

Erros operacionais e confusão em série Segundo a conclusão da Polícia Civil, o assassinato foi provocado por uma sucessão de falhas em abordagens da Polícia Militar. O inquérito policial apontou que os agentes confundiram o motorista com suspeitos de cometerem um assalto em outro município três dias antes.

Câmeras de segurança registraram quatro tentativas de abordagem à Fiat Strada branca conduzida pela vítima, que não parou nas ordens policiais. Imagens de vídeo também mostraram o momento em que o automóvel foi cercado por viaturas antes dos disparos efetuados pelos agentes.

O Ministério Público determinou medidas cautelares para os cinco réus e estabeleceu um valor mínimo de indenização por danos morais aos familiares. O caso tramita sob sigilo de Justiça.

Envolvimento e denúncia O boletim de ocorrência da Polícia Militar registrou a participação de seis policiais na ação: o 3º sargento Renan Pessimílio, os cabos Roberth Willian Meirelles, Bill Guidoni Ferrari e Rodrigo de Jesus Oliveira, além dos soldados Eduardo Nardi Ferrari e Ramon Lucas Rodrigues Souza. No entanto, apenas cinco foram denunciados pelo Ministério Público, e o órgão ministerial não esclareceu qual militar ficou de fora da denúncia.

O que dizem as defesas A defesa do sargento Rodrigo de Jesus Oliveira, representada pelo advogado Pedro Lozer Pacheco Júnior, afirmou que o militar agiu sob a percepção de estar diante de uma situação real de perigo, em um cenário de tensão e aparente confronto armado. A defesa ressaltou que a ocorrência foi antecedida por sucessivos rompimentos de bloqueios policiais, comunicações de prioridade pelo rádio e disparos de arma de fogo. Na avaliação da defesa, essas circunstâncias devem ser consideradas na análise da conduta do militar.

A defesa também pontuou que o recebimento da denúncia não representa uma condenação e que os argumentos e provas serão apresentados à Justiça.

A defesa de Ramon Lucas Rodrigues, também a cargo de Pedro Lozer, disse que durante toda a fase do inquérito policial acompanhou as investigações, prestando assistência jurídica necessária.

“É importante destacar que, após a conclusão das investigações, Ramon não foi incluído na denúncia oferecida pelo Ministério Público, não figurando, portanto, entre os denunciados”.

As defesas dos demais policiais envolvidos não foram localizadas pela reportagem.

Investigação e cronologia dos fatos A investigação iniciada na delegacia de Colatina foi transferida para a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas (Draco), em Vitória. Os PMs realizavam buscas desde as 23h15 por suspeitos de um roubo à mão armada. No mesmo horário, a vítima frequentava uma distribuidora de bebidas e saiu do local com amigos na carroceria da caminhonete.

A primeira abordagem ocorreu à 0h07, momento em que um dos amigos caiu da carroceria. Os demais ocupantes desembarcaram, e Danilo fugiu com um passageiro. Os militares transmitiram o alerta pelo rádio, mas sem especificar que a motivação inicial era uma infração de trânsito.

Durante a fuga, o delegado Tarik Souki relatou que um policial viu um objeto semelhante a uma arma no colo do carona.

“O policial, ele se aproxima muito da janela do carona. E ele narrou que vê um indivíduo de cabelo vermelho, que levanta os barrços, gira o tronco e faz menção de se entregar. E nesse momento ele vê. algo muito parecido com uma arma de fogo no colo desse carona”, disse o delegado.

A terceira abordagem aconteceu à 00h11. O motorista desobedeceu novamente, resultando nos primeiros disparos contra o veículo.

“O motorista [da polícia] narra que acreditou que fosse ser atropelado, por isso pulou para dentro da viatura e efetuou um disparo de arma de fogo. O passageiro que está sentado atrás do banco do motorista, esclareceu que nesse momento estava em pé, com a porta aberta do lado de fora da viatura. Quando o Danilo passa, ele efetua quatro disparos na lataria. Eles alegaram que para repelir a injusta agressão, efetuaram disparos. Porém, as imagens de videomonitoramento mostram que mesmo após a passagem do veículo, há disparos de arma de fogo por trás do carro”, narrou.

A polícia constatou que um objeto foi arremessado pela janela do carro em movimento, mas a imagem acabou sendo sobreposta pelo proprietário da residência e não pôde ser analisada.

Conclusão da tragédia Sozinho no veículo e após o amigo saltar com medo de ser baleado, o jovem foi interceptado pela última equipe policial. Os agentes efetuaram os tiros fatais.

“Quando os policiais militares, da última tentativa de abordagem, encontraram Danilo, na cabeça deles, acreditaram que estavam agindo em legítima defesa. Só que era uma legítima defesa ilusória, imaginária. Ouvimos o amigo de Danilo duas vezes e ele falou que estava embriagado, não sabia o que tinha acontecido e acredita que Danilo fugiu porque estava com medo de perder a carteira de motorista. Também perguntamos sobre o objeto descartado pela janela, mas ele não soube explicar”, afirmou.

Mais em Espírito Santo

Ver tudo →