Uma moradora do litoral de São Paulo registrou um boletim de ocorrência por suposta negligência médica após perder seu bebê, que nasceu sem vida, e precisar passar pela retirada do útero no Hospital Santo Amaro, localizado em Guarujá.
Histórico de atendimento e pré-natal de alto risco
O caso aconteceu na madrugada da última terça-feira (20). A gestante, de 37 anos, estava com oito meses de gravidez e fazia acompanhamento de pré-natal de alto risco devido a um quadro de hipertensão arterial crônica. Na segunda-feira (19), ela passou por uma consulta onde sua pressão arterial foi medida em 17, o que motivou o seu encaminhamento imediato para a unidade hospitalar.
Na primeira passagem pelo hospital, uma médica avaliou a paciente, constatou os batimentos cardíacos fetais e aplicou medicação intravenosa para conter as cólicas. Como o setor de imagem não funcionava naquele horário, a realização de uma ultrassonografia foi adiada para a manhã seguinte. Após realizar exames laboratoriais de sangue e urina, a gestante foi liberada para retornar para casa.
Agravamento dos sintomas e retorno à unidade
Horas mais tarde, já no período da noite, as dores se intensificaram e a paciente retornou ao hospital por volta das 19h, acompanhada por sua mãe. Um novo atendimento médico foi realizado, mas desta vez o profissional não obteve sucesso ao tentar escutar os batimentos cardíacos da criança. Enquanto aguardava novos exames e procedimentos, a mulher seguiu sentindo dores intensas.
“Ele colocou o aparelho na minha barriga e não escutou o coração do neném. […] O que ele tinha que ter feito de imediato era uma cesárea de emergência”, disse ela.
A paciente permaneceu internada durante toda a madrugada. Por volta das 3h, ao se dirigir ao banheiro, apresentou um quadro de sangramento e foi encaminhada para a realização do parto cirúrgico de urgência, onde a criança foi confirmada como natimorto.
Hemorragia, histerectomia e investigação policial
Em decorrência do procedimento, a mulher sofreu uma hemorragia severa, necessitando de transfusões de sangue, e passou por uma histerectomia total, procedimento que remove o útero e impede novas gestações. Ela responsabiliza a equipe médica pelo desfecho trágico.
“Eu não tô conseguindo processar tudo isso, acabou para mim. Quem me conhece sabe que o sonho da minha vida era ser mãe. Está doendo demais o que fizeram comigo. Eu não vou poder ter filho mais e mataram meu filho”, disse.
“Meu peito enche de leite e eu não tenho filho para amamentar. Eu sinto o meu bebê mexer lá dentro, mas não tem bebê nenhum. Eu fiz uma cesárea e não tenho criança. Eles acabaram com o sonho da minha vida inteira de ter um filho”, afirmou.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo confirmou que o caso foi formalmente registrado como morte natural na Delegacia de Polícia de Guarujá. As autoridades policiais solicitaram exames periciais ao Instituto Médico Legal para esclarecer todas as circunstâncias do ocorrido. Até o fechamento desta reportagem, a administração do hospital não havia se pronunciado sobre as acusações.








