Uma onça-pintada, identificada como Cynthia, foi flagrada acompanhada de dois filhotes no Pantanal mato-grossense, um ano após o fim de uma série de ataques a animais domésticos no assentamento Lambari, em Poconé. O registro, realizado em maio e divulgado recentemente, marca um ponto positivo para a iniciativa do Instituto Impacto, que promove a instalação de cercas elétricas para evitar o conflito entre predadores e produtores rurais.
Tecnologia a favor da conservação
O sistema de proteção consiste em fios eletrificados dispostos em diferentes alturas, criando uma barreira que emite um pulso elétrico inofensivo, porém desconfortável, caso a onça tente acessar o rebanho. O médico-veterinário e presidente do instituto, Paul Raad, esclarece que a estratégia visa manter a fauna em seu habitat natural. “Não havia um vilão nessa história: havia produtores prejudicados e uma onça-pintada que precisava continuar vivendo em seu habitat. Precisávamos encontrar uma solução para os dois”, afirmou.
Resultados práticos nas fazendas
A eficácia da medida foi comprovada na Fazenda Piuval, em Poconé. O proprietário, Eduardo Campos, relatou que a proteção foi fundamental para evitar a predação de bezerros. “Depois da cerca elétrica instalada, teve zero predação dentro da maternidade. Quando a gente solta da maternidade, ainda há alguns relatos de predação”, afirmou. Dados do instituto revelam uma queda de 83% nas mortes de animais: o número de perdas caiu de 23 para apenas quatro em um período de 14 meses após a implementação.
Paul Raad destaca que o projeto busca unir ciência e prática. “Percebemos que havia uma lacuna entre o conhecimento científico e a aplicação prática das estratégias de coexistência. O objetivo sempre foi transformar esse conhecimento em soluções que funcionassem na realidade do Pantanal”, disse.
Sustentabilidade e turismo
Além da proteção do rebanho, o produtor Eduardo Campos enfatiza a importância econômica de preservar os grandes felinos para o turismo local. “Não poderia ter essa relação de matar as onças, porque ela vale mais viva do que morta. Essa coexistência da pecuária com o turismo tem que existir”, declarou.
O Instituto Impacto já estendeu o apoio a mais de 15 propriedades no Pantanal e na Amazônia. Com custos de instalação que giram em torno de R$ 8 mil a R$ 10 mil para áreas de médio porte, a organização busca novas parcerias para subsidiar o sistema em pequenas propriedades, fortalecendo a segurança dos pecuaristas e a sobrevivência das onças-pintadas na região.








