Três suspeitos de integrar uma organização criminosa que aterrorizava comerciantes em Banabuiú, município localizado no sertão central cearense, foram capturados pela Polícia Civil. O grupo impunha regras rígidas de funcionamento e exigia o pagamento de taxas ilegais na região.
O “Edital Banabuiú” e o controle da água
A onda de intimidações teve início em 19 de outubro com a circulação de mensagens virtuais assinadas pela suposta “Diretoria de Banabuiú” do Comando Vermelho. Nos textos, os criminosos proibiam a livre circulação de caminhões de carga e condicionavam a distribuição de água potável no município à aprovação prévia dos marginais.
“Nós vamos mandar parar tudo se entrar com caminhão dentro da nossa cidade sem nossa autorização”, dizia parte do texto.
Nos dias seguintes, os criminosos passaram a chantagear os lojistas por meio de aplicativos de mensagens. As exigências variavam desde quantias de R$ 200 até cobranças semanais de R$ 750 para permitir que os estabelecimentos mantivessem as portas abertas. Devido à interrupção na distribuição de água motivada pelas ameaças, uma escola municipal precisou paralisar as atividades letivas.
Os alvos da operação policial
As investigações apontam que os detidos integravam a engrenagem financeira da facção, atuando em um esquema de domínio social e econômico. Entre os alvos estão Cícero Kevin Gomes Farias, apontado como agiota e destaque do grupo; Francisco das Chagas de Lima da Silva, conhecido como “Chico Motos”; e Carlos Fernando da Silva Andrade, que já possuía condenação judicial.
Durante as diligências, as autoridades apreenderam aparelhos celulares, um notebook, um pendrive e aproximadamente R$ 800 em espécie. Na residência de um dos investigados, a polícia também encontrou um revólver calibre .38 acompanhado de munições.
Esquema de agiotagem e desdobramentos judiciais
Além das extorsões contra o comércio local, os criminosos utilizavam a força da facção para cobrar dívidas de agiotagem, ficando com uma comissão de cerca de 5% sobre os montantes emprestados. O caso ganhou repercussão estadual após o impacto direto na rotina da população.
Durante a audiência de custódia realizada na cidade de Quixadá, a Justiça optou por converter as prisões em flagrante em preventivas. O magistrado destacou que “a liberdade dos autuados, aos quais se atribuem, em tese, funções de cobrança e de arrecadação junto aos próprios comerciantes, colocaria em risco concreto a colheita dos depoimentos das vítimas e das testemunhas e a identificação de outros ofendidos”.
“Os efeitos dessa atuação ultrapassaram a esfera individual das vítimas e atingiram a coletividade, com a interrupção do funcionamento de estabelecimento de distribuição de água e a suspensão das aulas em escola pública municipal por falta de abastecimento”, disse o juiz do 3º Núcleo Regional de Custódia e das Garantias.
Por fim, a Justiça determinou que os autos do processo sejam remetidos para a Vara de Delitos de Organizações Criminosas, com sede na Comarca de Fortaleza, onde o caso continuará a ser investigado.








