Gravações realizadas por trabalhadores do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) expõem um cenário de descaso na unidade de Anatomia Patológica. O setor, responsável por realizar autópsias e processar materiais biológicos provenientes de procedimentos cirúrgicos, apresenta falhas estruturais, como gavetas que não fecham e acúmulo de sujeira, além de denúncias sobre o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) com a validade expirada.
H2 Graves falhas no armazenamento de materiais biológicos
As imagens obtidas revelam que o acondicionamento de tecidos e órgãos destinados a exames de biópsia é feito de maneira improvisada. Em vez de recipientes hospitalares adequados, são utilizados potes plásticos comuns, muitas vezes reaproveitados de mantimentos domésticos.
“A gente leva da nossa própria casa. A manteiga que a gente terminou de usar na copa vai para lá, para a gente poder usar e armazenar esses órgãos que a gente recebe do centro cirúrgico”, disse um ex-funcionário que preferiu não se identificar.
Segundo os relatos, a ausência de um protocolo rigoroso para a conservação das peças biológicas coloca em risco a saúde da equipe. “Tem fungo, ainda tem esse risco biológico”, afirma.
H3 Contradições entre denúncias e vistoria oficial
Após ser confrontada com as imagens, a administração do hospital permitiu o acesso da reportagem ao setor. No local, o cenário encontrado divergia das gravações, o que, para os funcionários, teria sido resultado de uma faxina intensiva realizada durante a madrugada anterior à visita.
O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges), responsável pela administração da unidade, rebateu as críticas. A gestão sustenta que os vídeos não condizem com a realidade atual do departamento, alegando que houve uma recente mudança administrativa.
A gerente-geral do Serviço de Diagnóstico de Imagem, Marlucy Mendes Soares, negou qualquer relação entre a limpeza e a presença da imprensa, garantindo que o procedimento é rotineiro. Sobre o armazenamento, a gestora defendeu a conduta técnica:
“A resolução diz que o pote precisa estar fechado, identificado e a peça estar acondicionado com formol diluído em água. Todas as peças que foram mostradas no vídeo estavam nessas condições.”
Além da questão da higiene, o hospital assegurou que as geladeiras utilizadas para a conservação dos materiais passam por manutenção periódica. O caso também ganhou contornos trabalhistas, com registros na ouvidoria do GDF sobre possíveis episódios de perseguição e constrangimento contra servidores que denunciaram as irregularidades.








