Os eleitores de Brasília votam neste domingo (25) para definir o novo governador do Distrito Federal. Diferente dos demais estados brasileiros, o território possui um modelo político híbrido, acumulando funções que, no restante do país, são divididas entre governos estaduais e prefeituras municipais.
A estrutura única do território
Embora a capital conte com regiões administrativas, popularmente chamadas de cidades-satélites, essas localidades não possuem autonomia de município, conforme proíbe a Constituição Federal. Por esse motivo, não existem prefeitos ou vereadores na região, mas sim deputados distritais que atuam na Câmara Legislativa.
Contudo, a dinâmica de poder nem sempre funcionou dessa maneira. Desde a fundação da cidade em 1960, a administração local já passou pelas mãos de 12 prefeitos diferentes.
A fase inicial e a escolha presidencial
Quando a sede do governo brasileiro foi transferida do Rio de Janeiro para o Centro-Oeste, o chefe do Executivo local continuava sendo escolhido pelo Presidente da República, mediante aprovação do Senado. O primeiro a assumir o posto foi Israel Pinheiro, que também comandou a construção brasiliense e liderou a criação de órgãos essenciais como as secretarias gerais de Administração e Assistência.
De acordo com o historiador Robson Eleutério, especialista em história regional, esse formato de indicação direta refletia o esforço para consolidar a presença do poder central no Planalto Central.
“Para dar continuidade às obras, era importante que Brasília se consolidasse na região que abrigaria a capital. Tinha um movimento ‘antimudancista’ também nessa época, que, mesmo com a inauguração da capital, era contra a transferência do Rio de Janeiro para Brasília”, explica.
Extinção do cargo e os governadores biônicos
O cargo de prefeito foi abolido em outubro de 1969, por determinação da Emenda Constitucional nº 1, decretada pelo regime militar.
O historiador Robson Eleutério aponta que a mudança para governador ocorreu com a necessidade de “dar uma certa aparência de que tinha a intenção de caminhar para o regime democrático”.
O último prefeito da história brasiliense foi Wadjô da Costa Gomide, cuja gestão encerrou-se em 1969. Durante o mandato do goiano, foram inaugurados o Palácio do Buriti — atual sede administrativa — e a Companhia de Eletricidade de Brasília (CEB).
A chegada das eleições diretas
Apesar do fim da prefeitura em 1969, a população só obteve o direito de votar para governador com a promulgação da Constituição de 1988. Durante esse intervalo, os chefes do Executivo local continuaram sendo nomeados pela Presidência, formando a lista dos chamados “governadores biônicos”.
Apenas três décadas após a inauguração da capital, em 1990, ocorreu o primeiro pleito democrático para o governo distrital, elegendo Joaquim Roriz.
Lista de prefeitos do Distrito Federal
Confira a relação de todos os gestores que passaram pelo cargo entre as décadas de 1960 e 1969:
- Israel Pinheiro da Silva (17/04/1960 a 31/01/1961)
- Segismundo de Araújo Mello (05/05/1960 a 05/08/1960) – Prefeito interino
- Bayard Lucas de Lima (01/02/1961 a 06/02/1961) – Prefeito interino
- Paulo de Tarso Santos (6/02/1961 a 25/08/1961)
- Diogo Lordello d Mello (26/08/1961 a 13/10/1961)
- Ângelo Dário Rizzi (13/10/1961 a 6/11/1961)
- José Sette Câmara Filho (6/11/1961 a 22/08/1962)
- Ivo de Magalhães (28/08/1962 a 31/03/1964)
- Luiz Carlos Victor Pujol (03/4/1964 a 09/4/1964)
- Ivan de Souza Mendes (9/04/1964 a 18/05/1964)
- Plínio Reis de Catanhede Almeida (18/05/1964 a 15/03/1967)
- Wadjô da Costa Gomide (31/03/1967 a 30/10/1969)
A evolução institucional reflete as transformações políticas pelas quais o país passou ao longo das décadas, moldando a atual identidade administrativa do coração do país.








