Doze meses após a Operação Contenção, deflagrada nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, as principais lideranças do Comando Vermelho apontadas como alvos da ação permanecem em liberdade. A operação, realizada em 28 de outubro de 2025, foi marcada por um saldo trágico de 122 mortos, incluindo cinco agentes de segurança, mas não interrompeu a hierarquia da facção, que continua operando na região.
O status dos mandados e a situação dos foragidos
Dados oficiais enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF) revelam que, embora 99 pessoas tenham sido detidas no dia da ofensiva — 17 por mandados e 82 em flagrante —, ao menos 33 alvos com mandados de prisão em aberto ainda não foram capturados. Antes da investida, o Ministério Público havia denunciado 69 indivíduos, resultando em 51 ordens de prisão e 145 mandados de busca e apreensão.
Perfil das lideranças procuradas
As investigações da Polícia Civil e do Ministério Público apontam que nomes centrais do crime organizado continuam dando ordens e expandindo o poder da facção. Entre eles, destaca-se Edgar Alves de Andrade, o Doca ou Urso, de 56 anos. Apontado como a maior liderança do Comando Vermelho em liberdade, ele acumula 48 mandados de prisão e é alvo de uma recompensa de R$ 100 mil. A polícia identificou sua residência na Penha, apelidada de “Toca do Urso”, onde a segurança era monitorada via grupos de mensagens.
Outro nome de peso é Pedro Paulo Guedes, o Pedro Bala, que atua na hierarquia logo abaixo de Doca. Ele é investigado por decisões envolvendo movimentações financeiras e execuções de rivais. Já Carlos da Costa Neves, o Gardenal, é descrito como um homem de extrema confiança da cúpula, responsável pela logística de armamento, uso de drones para vigilância policial e pela expansão territorial da facção em Jacarepaguá.
Gerência e execução no crime
A estrutura de controle conta ainda com Washington César Braga da Silva, o Grandão, conhecido como “Síndico da Penha”. Ele é responsável pelo cotidiano da facção, desde o pagamento de integrantes até a definição de escalas de plantão armado.
Por fim, Juan Breno Malta Rodrigues, o BMW ou Rex, integra a chamada “Equipe Sombra”, especializada em execuções. Ele é acusado de treinar novos criminosos no uso de fuzis e de determinar sentenças em “tribunais do tráfico”. O criminoso teria adotado o apelido Rex após a execução de três médicos na Barra da Tijuca em 2023, quando as vítimas foram confundidas com milicianos. BMW possui 16 mandados de prisão contra si e segue como um dos alvos prioritários das autoridades fluminenses.








