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Fed mantém juros dos EUA na faixa de 3,75% a 4% ao ano a poucos dias das eleições para o Congresso

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Fed mantém juros dos EUA na faixa de 3,75% a 4% ao ano a poucos dias das eleições para o Congresso

Prédio do Federal Reserve dos EUA em Washington, EUA (maio/2020)
Kevin Lamarque / Reuters
O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, manteve a taxa de juros do país inalterada na faixa de 3,75% a 4% ao ano — maior nível desde outubro de 2025. A decisão, anunciada nesta quarta-feira (28), veio em linha com as expectativas do mercado financeiro.
Na reunião anterior, em setembro, o Fed havia elevado os juros em 0,25 ponto percentual, na primeira alta em mais de três anos. Desde então, a disparada do petróleo em meio às tensões no Oriente Médio tem mantido as preocupações com a inflação no radar do BC americano.
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A decisão desta quarta ocorre a poucos dias das eleições de meio de mandato, em 3 de novembro, que definirão o controle do Congresso dos EUA. O pleito acontece em meio à insatisfação dos americanos com a economia e o alto custo de vida, que têm pressionado o governo de Donald Trump. (leia abaixo)
Em comunicado, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) afirmou que a atividade econômica dos EUA segue se expandindo em ritmo forte e que “os gastos domésticos têm se mostrado resilientes”, embora a incerteza permaneça elevada, “em parte, devido a acontecimentos geopolíticos”.
Segundo o comitê, a decisão de manter a taxa básica de juros dos EUA inalterada — e em nível historicamente elevado — considera o duplo mandato do Fed: controlar a inflação e promover o máximo emprego. O colegiado destacou ainda que novos dados econômicos ajudarão a orientar as próximas decisões.
➡️ A política de juros nos EUA tem reflexos no Brasil. Com as taxas americanas ainda em níveis altos, cresce a pressão para que a Selic, taxa básica de juros brasileira, permaneça em patamar alto por mais tempo, além de gerar efeitos sobre o câmbio. (leia mais abaixo)
Taxa básica de juros dos EUA – outubro de 2026.
Arte/g1
Essa foi a 15ª decisão desde que Donald Trump assumiu como 47º presidente dos EUA, em 20 de janeiro de 2025. Desde então, os juros foram reduzidos quatro vezes, mas voltaram a subir na reunião de setembro, em meio a um cenário de incerteza marcado por conflitos geopolíticos, como a guerra entre EUA e Irã, e pela guerra tarifária promovida pelo republicano.
Foi também a quarta reunião sob o comando de Kevin Warsh, indicado por Trump para presidir o banco central dos EUA. Warsh tomou posse em 22 de maio e iniciou oficialmente seu mandato de quatro anos em uma cerimônia na Casa Branca.
A troca de comando no Fed ocorreu após meses de atritos entre Trump e o ex-presidente da instituição, Jerome Powell. Desde o início de seu segundo mandato, o republicano critica os juros elevados e defende cortes nas taxas para evitar que o crédito mais caro prejudique a economia.
Agora no g1
Presidente do Fed prega cautela
Em entrevista coletiva após a decisão, o presidente do Fed, Kevin Warsh, reforçou o compromisso do banco central de levar a inflação de volta à meta de 2% e disse que ainda é preciso avaliar os próximos dados antes de definir novos passos.
Questionado sobre por que o Fed não elevou os juros agora, diante da possibilidade de uma nova alta em dezembro, Warsh afirmou que o combate à inflação não depende de uma data específica nem de um único indicador.
“Controlar a inflação não é uma questão de escolher uma data específica no calendário. Da mesma forma, não se trata de um dado isolado”, afirmou.
Warsh disse que vê sinais positivos nas expectativas de inflação e que os próximos dados ajudarão o Fed a definir o rumo da política monetária. “Há muita coisa acontecendo no mundo, e meus colegas e eu estamos atentos a isso.”
O presidente do Fed reconheceu, porém, que o objetivo ainda não foi alcançado. “Ainda não alcançamos a estabilidade dos preços, mas estamos trabalhando para isso”, disse.
Warsh também afirmou que a economia americana deve ter crescido a um ritmo anualizado superior a 3% no terceiro trimestre, após avanço de 2,4% no segundo trimestre, revisado de 1,8%. Os dados oficiais serão divulgados na quinta-feira (29).
“O terceiro trimestre parece ter registrado uma expansão ainda mais rápida, impulsionada por um consumo saudável, que provavelmente cresceu a uma taxa superior a 3%, e pelos investimentos empresariais, que provavelmente aumentaram a uma taxa de dois dígitos”, afirmou.
O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, discursa durante cerimônia de posse no Salão Leste da Casa Branca, em Washington, em 22 de maio de 2026. Foto de arquivo.
REUTERS/Evelyn Hockstein
Cenário econômico pesa sobre Trump
Donald Trump costuma pressionar o Fed por juros mais baixos, mas a inflação continua limitando o espaço para cortes. O índice de preços ao consumidor (CPI) acelerou para 3,7% em 12 meses até setembro, acima da meta de 2% perseguida pelo BC americano.
A alta dos preços também entra no cálculo político às vésperas das eleições de meio de mandato, as chamadas “midterms”, marcadas para a próxima terça-feira (3). O pleito vai renovar todas as cadeiras da Câmara e cerca de um terço do Senado.
Os republicanos tentam manter o controle das duas Casas, e perder a maioria em qualquer uma delas pode dificultar a agenda de Trump nos dois últimos anos de mandato.
Levantamentos recentes ajudam a dimensionar o desgaste de Trump relacionado ao tema. Segundo pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na segunda-feira (26), 32% aprovam seu governo, enquanto 73% dizem que o custo de vida está caminhando na direção errada.
O que disse o Fomc
Ao justificar a decisão desta quarta-feira, o comitê do Fed destacou que a produtividade da economia americana segue crescendo em ritmo forte.
“Os ganhos de empregos têm acompanhado o ritmo de crescimento da força de trabalho, e a taxa de desemprego pouco mudou”, afirmou o colegiado.
Em setembro, os EUA criaram 29 mil vagas, bem abaixo das 133 mil registradas em agosto, enquanto a taxa de desemprego subiu de 4,1% para 4,2%, segundo o Departamento do Trabalho.
O Fomc destacou que a inflação continua elevada e afirmou que os próximos dados da economia ajudarão a definir os rumos da política de juros, com o objetivo de levar a inflação à meta de 2%.
A decisão desta quarta-feira não foi unânime. A diretora do Fed Lisa Cook e a presidente do Federal Reserve de Cleveland, Beth Hammack, votaram contra a manutenção dos juros e defenderam uma elevação de 0,25 ponto percentual.
Efeito dos juros no Brasil — e nos mercados
Juros em níveis elevados nos EUA mantêm os títulos públicos americanos, conhecidos como Treasuries, mais atrativos para investidores por oferecerem retornos maiores.
Por serem considerados os investimentos mais seguros do mundo, as Treasuries com rentabilidades elevadas despertam o interesse de investidores estrangeiros, que direcionam recursos aos EUA e fortalecem o dólar.
🔎 Em outra perspectiva: apesar de diversas variáveis interferirem nessa lógica, o movimento tende a reduzir o volume de investimentos estrangeiros no Brasil, desvalorizando o real em relação à moeda americana.
Além disso, o dólar em nível elevado aumenta a pressão sobre a inflação por aqui, com reflexos na manutenção de juros altos pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central do Brasil.

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