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Ex-presidente do BRB relata à PF que foi convidado por Vorcaro para chefiar holding ligada ao Master

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Ex-presidente do BRB relata à PF que foi convidado por Vorcaro para chefiar holding ligada ao Master

Paulo Henrique Costa disse à PF que foi convidado para comandar holding ligada ao Master
O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa afirmou à Polícia Federal que recebeu um convite para assumir a presidência de uma nova holding financeira que reuniria negócios ligados ao Banco Master.
Segundo o depoimento, para assumir o posto, Paulo Henrique deixaria o comando do BRB e teria de se desvincular dos demais cargos públicos.
O convite foi relatado no depoimento à Polícia Federal sobre um eventual interesse pessoal de Paulo Henrique Costa na concretização dos negócios com Vorcaro.
Na ocasião, Paulo Henrique Costa afirmou que o convite foi formalizado no fim de outubro de 2024. Segundo ele, a estrutura colocaria sob a holding instituições financeiras ligadas ao Master, incluindo o BRB.
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Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa na Papuda
Divulgação e Reprodução
“Eu seria o presidente dessa holding financeira. Eu recebi o convite de trabalho. […] Eu ia pedir demissão do BRB e ia ter que me desvincular de todos os cargos públicos.”, afirmou.
Paulo Henrique Costa também disse que, antes de responder ao convite, consultou o então governador Ibaneis Rocha (MDB) sobre a possibilidade de deixar o BRB antes do previsto.
De acordo com o relato do ex-presidente, Ibaneis Rocha respondeu: “Tá tudo bem”.
“Antes de responder o Daniel, eu pergunto ao governador o que ele acha, porque, na minha cabeça, eu tinha também o compromisso de ficar até o fim, de cumprir com as metas que tinham sido estabelecidas. Eu sairia antes. Ele fala: ‘Tá tudo bem’”, diz o ex-presidente do BRB.
Negociação envolvia lista de imóveis
Segundo Paulo Henrique Costa, a holding ainda estava sendo estruturada por Daniel Vorcaro e reuniria as instituições financeiras ligadas ao Master.
A delegada que conduz o depoimento menciona negociações envolvendo seis apartamentos de alto luxo em São Paulo e Brasília – e pergunta se Paulo Henrique seria beneficiário desses imóveis.
Paulo Henrique Costa negou que os imóveis fossem destinados a beneficiá-lo indevidamente.
Segundo ele, a procura por apartamentos estava relacionada ao novo emprego, porque precisaria morar em São Paulo.
Ele afirmou que precisaria se mudar para São Paulo e que colocou como condição no contrato que a empresa fornecesse moradia nas cidades em que trabalhasse.
O ex-presidente do BRB disse, também, que o acordo nunca chegou a se concretizar.
“Eu precisaria morar em São Paulo. […] No contrato de trabalho, eu falei: ‘Uma condição é o banco fornecer a minha moradia nas duas cidades, já que eu estarei a serviço’. Se tudo se concretizasse. Nunca se concretizou”, afirma Paulo em depoimento.
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‘Captura institucional’
A Polícia Federal conclui um dos relatórios afirmando que “o Banco Master passou a integrar, de forma indireta, a estrutura acionária do BRB”.
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“[…] mediante utilização de fundos de investimento (notadamente Borneo, Verbier E Delta), estruturados com o propósito de ocultar o beneficiário final e evitar a caracterização formal de controle ou participação qualificada”.
Ainda sobre a participação de Ibaneis, a PF conclui que decisões estratégicas da relação BRB-Master eram submetidas à apreciação do então governador “antes mesmo de deliberação pelos órgãos formais de governança, evidenciando centralização decisória e interferência política direta na condução da instituição financeira pública”.
“Tal atuação é indicativa de captura institucional, na medida em que a estrutura de decisão do banco foi alinhada a interesses específicos, em detrimento dos princípios de impessoalidade, moralidade e interesse público”, conclui a PF.
O que diz a defesa de Paulo Henrique Costa
“Paulo Henrique foi Presidente do BRB, no seu dono. Decisões dessa envergadura precisavam de aprovação do Conselho de Administração; e o acionista majoritário era o Governo do DF. Ainda que Paulo tivesse quisto fazer um negócio ilícito às escondidas com Vorcaro, teria sido parado no Conselho de Administração (de que faz parte o Governo do DF) e pelo sistema de governança interna. Por fim, Paulo segue confiante de que poderá apresentar a verdade dos fatos.”
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