A cidade de Gramado, na Serra Gaúcha, tornou-se o cenário de um evento especial que reuniu dezenas de Papais Noéis de diversas regiões do país. A programação, que integra o 16º Encontro Nacional de Papais Noéis, segue até a próxima sexta-feira (30) e tem surpreendido quem circula pelas ruas centrais do município.
Um encontro que desperta emoções
Para a pedagoga Roberta Rocha Guimarães, natural de Maceió (AL), o passeio comum pelas ruas gramadenses ganhou um significado inesperado ao se deparar com o grupo. A visitante, que cresceu sem vivenciar as tradições natalinas, não conteve o impacto emocional ao encontrar os personagens.
“Me tocou muito porque eu fui uma criança que não teve festa, que não teve memórias com pai e com mãe. A gente sempre sonha em tirar foto com o Papai Noel”, relata.
O impacto foi profundo e trouxe à tona lembranças do passado. “A emoção foi à flor da pele. Isso me fez resgatar tudo lá atrás. É uma memória que vou levar para o resto da minha vida”, afirma.
Diversidade e integração nacional
O evento conta com a participação de 60 profissionais vindos de estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná. Além de promover a integração entre os participantes, a agenda do encontro inclui diversas ações voltadas para o público, reforçando o clima festivo que caracteriza a cidade durante este período.
Histórias de vida por trás da barba branca
Entre os participantes, destaca-se a trajetória de Alberto José Antônio Martinho, de 72 anos, vindo de Braço do Norte (SC). O ex-mecânico de bicicletas, que trabalhou na profissão por quatro décadas, atua como Papai Noel há 30 anos acompanhado de sua esposa, a Mamãe Noel.
A transformação de Alberto começou de maneira espontânea, quando as crianças de uma creche próxima à sua oficina passaram a associar sua barba longa ao bom velhinho, apelidando o local de “Casa do Papai Noel”. A iniciativa de assumir o personagem também veio de um desejo de preencher lacunas de sua própria infância.
“Na minha infância eu não tinha Natal. Era só trabalho e dificuldades”, relembra.
Hoje, motivado pela vivência humilde que teve ao lado de seus 14 irmãos, Alberto dedica-se a auxiliar famílias carentes durante todo o ano, distribuindo donativos e brinquedos. Para ele, a essência do trabalho vai muito além do aspecto comercial.
“O Papai Noel, na realidade, não tem preço, tem valores. O valor do Papai Noel é ver as pessoas felizes”, conclui.








