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Seca extrema no Sertão sergipano colapsa produção de leite e grãos

Estiagem severa dizima rebanhos e lavouras em Poço Redondo, forçando produtores a vender animais e lutar pela sobrevivência no campo.

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Sem pasto e sem leite: seca no Sertão de Sergipe devasta lavouras e faz produtores perderem renda

A escassez severa de chuvas transformou a paisagem do município de Poço Redondo, no Alto Sertão de Sergipe, em um cenário de terra batida e riachos secos. O fenômeno climático não apenas comprometeu o abastecimento, mas causou um colapso profundo na agricultura e na pecuária leiteira, desestabilizando a principal fonte de sustento das famílias da região.

Prejuízos na lavoura e queda na produção

O investimento realizado por produtores locais para o cultivo de milho, destinado à alimentação do gado, resultou em perda total, já que as plantas não se desenvolveram devido à falta de umidade no solo. Cleiton Feitosa dos Santos, um dos agricultores afetados, relata a frustração com a safra perdida. “Não vingou nada este ano. O milho foi devagar demais, a chuva foi fraca e o milho não cresceu”, diz o agricultor.

A escassez de pasto e de grãos elevou os custos operacionais e reduziu a produtividade diária de leite, comprometendo o orçamento familiar. O produtor José Valmir descreve a queda drástica na captação do produto: “Quando elas estavam gordas [as vacas], a gente tirava aqui de 60 a 70 litros diários. Agora, se for tirar o leite hoje, vai dar uns 32 litros. É só para o gasto mesmo”, conta o produtor José Valmir.

Sobrevivência e esvaziamento dos rebanhos

Para evitar a morte dos animais, muitos pecuaristas têm recorrido a plantas da Caatinga, como o mandacaru e a macambira, queimando os espinhos para oferecer como forragem. “Não engorda, mas dá para ir levando”, desabafa José Valmir. Mesmo com essa alternativa, a mortalidade de animais tem sido registrada. Para mitigar os danos, produtores como Cleiton estão sendo obrigados a vender grande parte do rebanho: “Estou querendo vender já, porque não tem outro jeito. Se pelo menos chovesse para melhorar as coisas, mas do jeito que tá aí, não dá”, lamenta Cleiton.

De acordo com a Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), a perda das lavouras foi total. O engenheiro agrônomo Luciano Firmino explica o cenário crítico: “Toda a safra plantada foi perdida [..] tamanha a escassez de água e o déficit hídrico do solo. Com isso, não teve nem produção e, consequentemente, nenhuma reserva alimentar para o gado”, explica o engenheiro agrônomo da Emdagro, Luciano Firmino.

Ação governamental e alerta climático

O governo estadual informou, em outubro de 2026, que a seca já impacta mais de 73,1 mil pessoas em 11 municípios em situação de emergência. Para enfrentar a crise, a Defesa Civil Estadual mobilizou uma frota inicial de 40 caminhões-pipa, com possibilidade de expansão para 60 veículos, em operação conjunta com o Exército Brasileiro.

O cenário futuro preocupa ainda mais devido à influência do fenômeno climático El Niño. Com probabilidade superior a 95% de atuação intensa no final do ano, a expectativa é de redução ainda maior das chuvas e aumento das temperaturas. “A tendência é que, até o final do ano, lá por meados de dezembro, a situação esteja muito mais grave do que está hoje. O El Niño tem duas funções básicas: reduzir a quantidade de chuvas e aumentar a quantidade do calor”, alerta o engenheiro agrônomo Luciano Firmino.

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