A primeira fase da Fuvest 2027, aplicada neste domingo (1º), foi marcada pela forte interdisciplinaridade, pela inclusão de debates contemporâneos e pela exigência de maior capacidade interpretativa, segundo especialistas de colégios e cursos preparatórios de São Paulo.
Novo formato e complexidade
Apesar da redução de 90 para 80 perguntas e da manutenção do limite de cinco horas, o exame continuou extenso e trouxe indagações mais elaboradas, repletas de textos longos e variados formatos visuais. O processo seletivo para a Universidade de São Paulo (USP) registrou uma abstenção recorde de apenas 6,4% e abordou referências que passearam desde a cultura pop até discussões sociais urgentes.
Entre os tópicos discutidos estiveram a doença genética do ator Gaten Matarazzo, da série “Stranger Things”, uma foto do cantor Bad Bunny, o fim da jornada 6×1, inteligência artificial, mudanças climáticas e o combate ao trabalho análogo à escravidão.
Avaliação dos especialistas
Para Vera Lúcia Antunes, coordenadora pedagógica do Objetivo, a avaliação se destacou pela criatividade e atualização dos enunciados, que misturaram músicas, obras literárias, gráficos e imagens.
“Uma prova criativa e muito bem elaborada e apesar de terem diminuído 10 questões, ainda foi uma prova extensa, que exigiu do candidato domínio de vocabulário e de conceitos”, afirmou.
Já Henrique Braga, coordenador da Escola Lourenço Castanho, pontuou que o exame beneficiou o perfil do estudante com bom hábito de leitura. Ele mencionou a exigência de cruzar diferentes linguagens, como unir pinturas de Van Gogh a textos literários.
“Mas, em geral, foi uma prova que valorizou o bom leitor, seja nas questões de ciências humanas, de linguagens, de natureza ou de matemática. O bom leitor teve, enfim, vantagens nesse exame”, afirmou.
Por outro lado, o docente criticou a cobrança de uma habilidade baseada em “falsa contextualização” na questão envolvendo Bad Bunny e o uso de formato de alternativa incorreta, considerado ultrapassado.
Linguagens e interdisciplinaridade
A área de Linguagens ganhou espaço expressivo, respondendo por cerca de 20% do teste. Roberta Hernandes Alves, da Escola Gracinha, ressaltou que o exame exigiu ferramentas críticas robustas para conectar obras obrigatórias a contextos históricos, sociológicos e filosóficos.
“Assim, não bastava conhecer as obras, mas era necessário mobilizar ferramentas críticas para interpretá-las em diálogo com a história, a sociologia, a filosofia e as artes”, afirmou.
Levantamentos realizados por cursinhos indicam que aproximadamente 28% das questões exigiram conhecimentos cruzados de duas ou mais disciplinas. Além disso, 59% dos itens utilizaram textos verbais, enquanto 41% dependeram de elementos visuais como gráficos, tabelas, mapas e figuras científicas.
Concorrência e próximos passos
Mesmo com a diminuição de perguntas de matemática e a aparente facilidade em alguns tópicos, disciplinas como português e física apresentaram alto grau de dificuldade, o que pede cautela na projeção das notas de corte. A concorrência segue liderada por Medicina em São Paulo, com 76,3 candidatos por vaga, seguida por Psicologia (50,9 c/v). Os convocados para a segunda fase serão anunciados em 23 de novembro, e as provas ocorrem nos dias 6 e 7 de dezembro.








