A proximidade da cerimônia de posse presidencial, marcada para o dia 5 de janeiro, gerou uma escalada desenfreada nos preços de hotéis e pousadas no Distrito Federal. Embora o evento ocorra daqui a dois meses, turistas que planejam visitar a capital federal já se deparam com tarifas que chegam a ser cinco vezes superiores aos valores praticados em períodos de alta temporada, como o Ano Novo.
Impacto financeiro no Setor Hoteleiro
Dados coletados no Setor Hoteleiro Norte evidenciam a disparidade tarifária. Em um dos estabelecimentos monitorados, o custo de uma reserva para o Réveillon é de R$ 1.100, enquanto o período da posse atingiu a marca de R$ 5.223. Em outro hotel da região, o salto é ainda mais expressivo: a diária sobe de R$ 664 na virada do ano para R$ 7.180 na data do evento político. Além dos valores elevados, viajantes relatam dificuldades com cancelamentos unilaterais de reservas feitas anteriormente por preços menores.
Ação judicial contra abusos
Diante do cenário, o deputado distrital Fábio Félix (PSOL) acionou o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) para investigar a prática. O gabinete do parlamentar realizou uma análise detalhada em 360 imóveis disponíveis em plataformas de locação. “É um absurdo que pessoas que querem vir a Brasília acompanhar a posse do presidente Lula encontrem diárias de hotéis custando mais de R$ 12 mil. O aumento da procura não pode servir de justificativa para cobranças abusivas. Queremos que o Ministério Público investigue e tome providências para proteger os consumidores”, afirma Felix.
Denúncias ao Procon e disparidades
O parlamentar, que foi eleito deputado federal, também formalizou uma reclamação junto ao Instituto de Defesa do Consumidor (Procon). “Brasília vai receber pessoas de todo o país para um momento importante da nossa democracia. Não podemos permitir que elas sejam prejudicadas por preços injustificáveis”, declarou.
Entre os casos mais graves documentados pela equipe do deputado, foi identificado um reajuste de 23,5 vezes no valor de um mesmo imóvel, saltando de R$ 532 na semana posterior à posse para R$ 12.516 durante o período da cerimônia. A expectativa é de que órgãos de fiscalização intervenham para coibir a precificação considerada abusiva pelas autoridades.








