Um avião com passageiros foi arrastado pela força de um tornado no Aeroporto de Chapecó, em Santa Catarina, na manhã de quarta-feira (4). A paranaense Andrea Cristina Viganó estava a bordo da aeronave que se preparava para decolar quando o fenômeno extremo atingiu o município catarinense, provocando destruição generalizada e a suspensão imediata dos voos.
Ventos extremos e aeronave balançando
Natural de Pato Branco (PR), Andrea viajava na companhia da mãe, Celis Mara Viganó, com destino a Campinas (SP) para uma convenção profissional. O embarque ocorreu normalmente devido à tentativa de acelerar a saída diante da previsão de temporal. Contudo, após iniciar o deslocamento na pista, o veículo parou com o agravamento da chuva e enfrentou rajadas intensas que balançavam a estrutura de 77 toneladas, conforme avisado pelo comandante.
“Foi uma coisa muito estranha, porque nós entramos no avião e saímos de um aeroporto perfeito. […] Dentro da tempestade, nós passamos uns dez minutos e, quando nós saímos disso, não existia mais aeroporto”, contou.
A Defesa Civil estadual confirmou a ocorrência do tornado, registrando rajadas locais de 93 km/h, enquanto estações do Inmet marcaram ventos de até 126 km/h. O piloto chegou a relatar aos passageiros que ventos de 140 km/h empurravam o transporte aéreo.
Destruição no terminal e carros danificados
Após a tormenta perder intensidade, o comandante comunicou o cancelamento da viagem e a necessidade de retorno ao pátio. Os ocupantes precisaram aguardar mais de uma hora dentro da cabine devido à falta de equipamentos de apoio.
“Ele falou que não havia nenhuma escada mais disponível para a gente descer do avião, porque todas as escadas estavam embaixo dos escombros. […] E aí é que a gente começou a olhar para fora e realmente enxergar o que tinha acontecido, porque os barracões estavam no chão, o terminal de cargas não existia mais”, relatou.
O cenário externo era de escombros, falta de energia e veículos danificados no estacionamento, incluindo o automóvel da própria passageira, que teve a cobertura arrancada. A concessionária Voe Xap suspendeu as operações por tempo indeterminado e equipes técnicas realizam vistorias na infraestrutura. Sem seguir para São Paulo e orientadas a buscar hospedagem para posterior reembolso, mãe e filha planejam retornar ao Paraná dirigindo o veículo avariado.
“Eu acredito que nós vamos conseguir voltar mesmo com o meu carro, amanhã, mesmo sem retrovisor, mas vamos devagarinho”, disse.








