O engenheiro Patrick Noé dos Santos Filgueira, de 42 anos, foi detido na tarde desta quinta-feira (5) após abandonar o Tribunal do Júri, localizado no bairro Mata da Praia, em Vitória. A sentença que o condenou a 27 anos, 1 mês e 15 dias de prisão foi proferida sem a sua presença. Além da pena em regime fechado, ele recebeu a determinação de pagar R$ 500 mil em indenização por danos morais aos familiares da vítima.
Prisão e desdobramentos da fuga
Após deixar o fórum conduzindo um automóvel, o réu — que respondia ao processo em liberdade — foi interceptado pela Guarda Civil Municipal de Vitória e encaminhado à delegacia da capital. Conforme informações repassadas pela promotoria, o próximo destino do condenado será o Centro de Triagem de Viana.
Diante do episódio, o Ministério Público requereu a apuração do ocorrido e a custódia do aparelho celular do condenado para investigações adicionais, pedido este acatado pelo Poder Judiciário. Em contrapartida, os advogados de defesa manifestaram total discordância em relação ao veredito e informaram que apresentarão recurso. A defesa também contestou a apuração pedida pelos promotores, argumentando que inexistia determinação judicial que proibisse a saída do réu do local do júri.
Histórico do feminicídio em 2017
O crime ocorreu em 30 de dezembro de 2017, tendo como vítima a professora de Geografia Danielly Wandermurem Benício, que lecionava em uma instituição particular de ensino na capital capixaba. O corpo foi achado no interior do apartamento onde o casal residia, situado no bairro Jardim Camburi.
Conforme os exames periciais, o óbito sobreveio em decorrência de uma “hemorragia intracraniana, devido a traumatismo cranioencefálico, causado por ação contundente”. A investigação policial apontou que a docente estava caída de bruços próximo à cama, imersa em sangue. O cenário do quarto exibia sinais de luta, com a janela aberta, o ar-condicionado em funcionamento, um dos pés do criado-mudo danificado e porta-retratos virados para baixo.
Investigação e motivação do crime
Registros de câmeras de segurança do edifício revelaram que o engenheiro foi o último indivíduo a acessar o domicílio antes do óbito de Danielly, permanecendo no local por aproximadamente dois minutos antes de se retirar. O próprio marido acionou as autoridades ao encontrar o corpo no término do dia seguinte.
O inquérito foi formalizado pelo Ministério Público e aceito pela Justiça em março de 2018. A acusação sustentou que o homicídio decorreu de uma discussão impulsionada por ciúmes. De acordo com os promotores, o réu exercia controle excessivo sobre a esposa, fiscalizando suas contas digitais por meio de um aplicativo de mensagens clonado.
Embora tenha sido preso inicialmente, o engenheiro obteve liberdade provisória e aguardou o trâmite processual sem restrições de liberdade até o desfecho do julgamento desta quinta-feira, quando acabou responsabilizado por homicídio qualificado por motivo torpe e feminicídio.








