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Comenda Charlie Kirk em Goiânia divide opiniões na Câmara

Projeto que homenageia influenciador conservador americano já recolheu mais de 25 mil assinaturas contrárias em abaixo-assinado

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Comenda Charlie Kirk: entenda projeto em homenagem a influenciador conservador dos EUA que causa polêmica em Goiânia

Uma proposta legislativa em tramitação na Câmara Municipal de Goiânia tem provocado intensos debates políticos ao sugerir a criação de uma honraria batizada com o nome do ativista conservador norte-americano Charlie Kirk, que foi assassinado em 2025.

Homenagem aos valores conservadores O texto da iniciativa, de autoria do vereador Igor Franco (Podemos), passou por uma aprovação inicial em votação simbólica no dia 29 de outubro, contabilizando apenas os votos contrários dos parlamentares Aava Santiago (PSB) e Fabrício Rosa (PT).

Se o texto for totalmente aprovado, a premiação ocorrerá anualmente no mês de novembro por meio de sessões solenes, contemplando até 50 pessoas por evento mediante solicitação e aprovação em plenário. A medalha prevista no projeto trará o brasão da Casa de Leis em uma face e os dizeres “Comenda de Honra ao Mérito Charlie Kirk – Valores Conservadores e Liberdade” no verso, sendo destinada a quem se destacar na defesa de princípios éticos, cristãos e liberais.

Resistência e abaixo-assinado Enquanto o texto segue em tramitação, a oposição tem mobilizado críticas severas e recolhido assinaturas públicas para barrar a iniciativa na capital goiana.

O vereador Fabrício Rosa lidera um abaixo-assinado contra a proposta que já ultrapassou a marca de 25 mil assinaturas. O parlamentar argumenta que a figura do americano carrega histórico de declarações controversas.

“Charlie Kirk foi um ativista trumpista que chamou de “grande erro” a aprovação da lei americana que proibiu a discriminação racial em espaços públicos. Depois, chamou essa legislação de ‘arma contra os brancos’ […]. Uma medalha da Câmara carrega o nome de uma cidade inteira, inclusive das pessoas que sofrem racismo todos os dias”, disse.

Na mesma linha, a vereadora Aava Santiago justificou seu voto contrário e pontuou os riscos institucionais da honraria.

“Eu votei contra a criação da Comenda Charlie Kirk, e acredito que a Câmara precisa rever a decisão de criá-la, porque ao criar uma comenda não é mais o vereador autor que está tendo essa ideia enquanto um legislador com livre poder de pensamento, mas é o Poder Legislativo que está dizendo pra sociedade que ideias supremacistas não devem ser enfrentadas, mas transformadas em honrarias”, explicou Aava.

Defesa da proposta Por outro lado, o autor da matéria argumenta que a homenagem não endossa de forma integral cada posicionamento histórico do influenciador estrangeiro, reforçando a importância do respeito à diversidade ideológica no parlamento municipal.

“Sobre o vereador Fabrício Rosa, entendo que ele tem todo o direito de se posicionar contra a comenda. O que não pode é querer estabelecer quais valores e quais personalidades podem ou não ser homenageados pelo Legislativo. A Câmara precisa ser um espaço de pluralidade, e essa pluralidade também precisa contemplar os cristãos e os conservadores”, escreveu.

Trajetória do ativista Charlie Kirk ganhou notoriedade entre o público jovem da direita nos Estados Unidos ao comandar debates públicos em universidades sob o formato “prove que estou errado”, além de defender pautas como o fim de políticas agressivas contra mudanças climáticas, o reconhecimento de apenas dois gêneros e o controle de posturas pedagógicas em salas de aula. A trajetória do ativista foi interrompida em 11 de setembro de 2025, quando ele foi morto a tiros aos 31 anos durante um evento na Universidade Utah Valley.

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