Com criações que se assemelham a pinturas e esculturas, um jovem de 26 anos natural de Alfredo Chaves, na Região Serrana do Espírito Santo, alcançou a marca de dois milhões de seguidores nas redes sociais. As produções detalhadas transformaram a confeitaria em uma verdadeira galeria de arte virtual, rendendo marcas expressivas de visualizações em vídeos de receitas e técnicas elaboradas.
De Alfredo Chaves para o mundo digital
Lúcio da Silva de Jesus deu os primeiros passos na cozinha ainda na infância, convivendo com familiares que produziam doces por encomenda. Aos 11 anos, o garoto já demonstrava interesse pela área, embora sua primeira experiência culinária não tenha saído conforme o planejado. “O primeiro bolo que fiz ficou totalmente ruim. Minha avó até falou: ‘meu Deus, meu filho, não fica com esse bolo, tenta depois outro’. Eu prometi para mim mesmo que nunca mais queria fazer bolo na vida, mas continuei observando minha mãe e minhas irmãs. Depois, tentei de novo e deu certo”, relembrou.
Autodidata, o confeiteiro moldou suas habilidades ao longo dos anos, unindo o antigo sonho de infância de atuar como pintor à nova profissão. “As professoras sempre perguntavam o que a gente queria ser quando crescêssemos e minha resposta nunca mudou. Sempre foi ser pintor”, contou. A escolha pela confeitaria surgiu como uma alternativa viável para expressar sua criatividade diante das limitações de morar em um município de pequeno porte. “Eu queria pintar telas, mas, com o passar do tempo, fui percebendo que era uma profissão distante para quem vivia no interior, em uma cidade pequena. Acabei encontrando na confeitaria uma forma de trabalhar com a arte”, pontuou.
O surgimento da identidade O Menino do Bolo
O reconhecimento atual veio acompanhado de um apelido carinhoso que surgiu de forma espontânea por parte da clientela local. Por volta de 2021, o profissional atendia encomendas noturnas e de fins de semana na região central de Alfredo Chaves, período em que passou a ser identificado diretamente pelas crianças e mães que consumiam suas produções. “Eu nem pensava em ser chamado de O Menino do Bolo. Foram os próprios clientes que começaram a me chamar assim. As mães das crianças para quem eu fazia bolos me encontravam na rua e diziam: ‘olha lá, mãe, o menino que fez meu bolo!’. Achei o nome tão ingênuo e fácil de guardar que gostei”, destacou.
A virada de chave para a produção de conteúdos virais aconteceu quando ele decidiu testar formatos ousados e inéditos em sua rotina, como a confecção de uma peça inspirada no personagem Stitch. “Até então, eu nunca tinha feito um bolo esculpido. Resolvi me arriscar no personagem Stitch, que é um dos meus personagens favoritos de animação. Era a primeira vez que usava pasta americana, então fui experimentando e procurando referências na internet. No fim, deu certo”, explicou sobre o projeto que alavancou sua visibilidade na web.
Desafios, novos rumos e planos futuros
O crescimento acelerado exigiu adaptações. Na época em que alcançou a marca inicial de 100 mil seguidores, o confeiteiro ainda lidava com desafios práticos na cozinha. “Eu tinha bastante responsabilidade porque, para mim, 100 mil pessoas como seguidores era algo enorme”, pontuou sobre a pressão de conciliar o aprendizado técnico com a exposição pública. Atualmente, com uma rotina dedicada integralmente à produção audiovisual e cursos digitais, ele deixou de aceitar encomendas tradicionais.
Entre as projeções para o futuro, o criador de conteúdo almeja expandir sua atuação profissional para além do ambiente virtual, planeja a abertura de um ateliê próprio e sonha em realizar encontros presenciais com o público em diferentes estados do país. Inspirado recentemente após ser desafiado pela apresentadora Ana Maria Braga a preparar um bolo red velvet, o artista mantém viva a mesma paixão que o motivou na infância. Para quem deseja ingressar na área, o conselho é direto: “Eu diria: trabalhe e acredite, porque vai acontecer. Só depende do seu esforço”, afirmou.








