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Novo livro de Celso Tádhei imagina o Rio sem riso

Obra traz um cenário distópico onde uma geleira gigante ameaça Copacabana e gargalhadas viram crime.

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Onda congelada sobre Copacabana leva à proibição do riso em novo romance de Celso Tádhei: 'E se a comédia fosse proibida?'

Uma imensa onda de gelo com 80 metros de altura erguida sobre a Praia de Copacabana coloca a capital fluminense em risco iminente de destruição. O desastre só pode ser evitado caso a população pare de gargalhar, pois cientistas descobrem que o riso humano é capaz de desestabilizar a estrutura congelada.

O desafio da censura no Rio A premissa forma o enredo de Derrisão, obra do escritor e roteirista Celso Tádhei. O lançamento oficial ocorreu nesta sexta-feira (6), às 19h, na Livraria Argumento, situada no Leblon, Zona Sul carioca.

A proibição das gargalhadas surge após o monitoramento rigoroso das manifestações de bom humor na cidade. No centro da trama está Tito Bastos, um profissional de roteiros cômicos que passa a ser sufocado por um regime de forte controle estatal.

Inspirações inusitadas e bastidores O escritor concebeu a narrativa ao nadar nas águas frias da Praia do Leme durante um dia quente de verão.

“Ganhei essa imagem junto com um palavrão que soltei ao entrar no mar. Fui dar um mergulho na praia do Leme e a água estava gelada de dar cãibra. A imaginação, essa companheira sem noção, fez o resto: visualizei uma onda gigantesca de gelo em pleno verão carioca”, conta.

Debates sociais e paralelos contemporâneos Outro fator determinante veio de discussões virtuais sobre piadas polêmicas. A situação estimulou o autor a refletir sobre um futuro sem o gênero humorístico.

“E se a comédia fosse proibida de vez? E mais do que isso: e se simplesmente rir não fosse mais possível? Acabei juntando uma ideia à outra e daí nasceu Derrisão”, explica.

O protagonista e os limites da liberdade Tádhei acumula 23 anos de experiência na televisão, tendo atuado na Rede Globo como roteirista-chefe de atrações como o Zorra. Para ele, o olhar cômico serve para escancarar contradições sociais.

“Comediantes são criaturas que veem o mundo de fora, observadores do comportamento humano cujo trabalho é revelar o absurdo das coisas”, afirma.

O autor também traça paralelos entre a ficção e mecanismos atuais de cerceamento de opiniões sob pretexto de segurança ou moralidade.

“Há um mecanismo de poder que se repete: alguém assume o controle sobre a circulação das ideias, alegando estar protegendo um valor maior”, diz.

Cenário afetivo e reflexão final A escolha geográfica dialoga com a infância do autor em Copacabana, incluindo referências locais como a pracinha do Lido e o bar Sereia de Copacabana. O projeto consumiu cerca de um ano e meio de dedicação, logo após o escritor alcançar a final do Prêmio Jabuti de 2025 com A Casa da Ópera de Manoel Luiz.

Finalista do Prêmio Jabuti, o romancista sintetiza a mensagem da obra questionando os limites das concessões sociais em nome da segurança:

“Até que ponto a busca por proteção pode nos levar a abrir mão daquilo que nos torna humanos?”, questiona o escritor.

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