A contagem regressiva para o matrimônio de Gabrieli Lira Lorandi, 30 anos, e Cássio Fernando Mello, 31, foi marcada por exames, sessões de quimioterapia e internações. Enquanto a família enfrentava o diagnóstico de leucemia mieloide aguda de Remi Domingos Lorandi, 69 anos, o dia 3 de outubro de 2026 tornou-se a grande motivação para o pai da noiva em Caxias do Sul, na Serra Gaúcha.
A luta contra a leucemia e a decisão de manter a data
A leucemia mieloide aguda é uma condição agressiva que compromete o sistema imunológico e exige tratamentos intensivos, como quimioterapia e transplante. Diagnosticado em 1º de julho de 2026, Remi precisou passar por protocolos rigorosos, complicações bacterianas e até passagens pela UTI. Apesar dos riscos e das dúvidas sobre adiar a cerimônia marcada em janeiro, o pai fez questão de manter os planos.
“Meu pai não queria que cancelássemos o casamento em nenhum momento. Aquela data era uma motivação para ele continuar lutando”, relata a filha.
Diante das restrições médicas, a alternativa inicial era transmitir o evento ao vivo para o quarto do hospital. No entanto, uma melhora em seu quadro clínico dias antes do evento mudou completamente o rumo da celebração.
Força-tarefa médica viabiliza o transporte
O hematologista responsável, doutor Thiago Daltoe, apresentou a possibilidade de levá-lo à igreja em uma ambulância de UTI móvel com acompanhamento especializado. A equipe médica reforçou a importância do fator humano no atendimento.
“Cuidar dos doentes implica em prestar atenção na pessoa a sua frente e não apenas na coleção de sintomas e exames que caracterizam as doenças” , ressalta Daltoe.
Ao saber da chance real de participar, a resposta foi imediata.
“Assim que explicamos as possibilidades, ele não hesitou. Disse imediatamente: ‘Eu disse que ia no casamento e eu vou! Eu quero ir, eu quero ir, eu quero ir!’”, relembra Gabrieli.
A surpresa na cerimônia e a bênção emocionante
Com uma operação relâmpago montada em menos de 24 horas, a família organizou o deslocamento e o retorno imediato ao mesmo leito hospitalar. Como a confirmação só ocorreu nas últimas horas, os convidados não sabiam da presença do pai, que estava hospitalizado há 95 dias.
Como Remi não podia se levantar da cama, a mãe da noiva conduziu Gabrieli até o altar. O encontro no altar foi marcado por lágrimas, pelo sinal da cruz na testa da filha e pela bênção aos recém-casados.
Atualmente, Remi segue internado para continuar o tratamento contra o câncer, mas já apresenta melhoras expressivas, como a independência respiratória, a ausência de sondas e a retomada da alimentação por conta própria.








