Um morador de Vila Velha, no Espírito Santo, está realizando o sonho de tocar violino mesmo após perder completamente a visão e a audição há 13 anos em decorrência de um quadro de meningite.
Superação através do método tátil O estudante frequenta há quatro meses as aulas gratuitas oferecidas pela Estação Leopoldina. Como não possui um equipamento próprio, ele utiliza um instrumento emprestado por uma amiga para executar arranjos complexos, incluindo canções da artista norte-americana Christina Aguilera.
“Gosto muito dos arranjos de violino dessa música. Eu consigo ouvir os sons de violino e instrumentos musicais, sons e batidas eu ouço normalmente. São as vozes que ficam distorcidas”, explicou o estudante.
A invenção da escrita tátil A deficiência dupla se instalou quando Max tinha apenas 22 anos. Durante o período de internação hospitalar, ele elaborou um sistema próprio de comunicação baseado no tato para conseguir interagir com familiares e profissionais de saúde.
“Quando eu estava no hospital, ainda no início da cegueira e surdez, eu estava pensando como iria me comunicar com as pessoas, como iria falar. Então, eu trabalhava muito raciocínio lógico. No início, era escrita com o meu dedo no ar, tinha que escrever muito grande. Depois, passou a ser comigo ainda deitado na cama do hospital, na barriga ou grande no peito. Depois que eu saí do hospital e o quadro clínico estabilizou, passou a ser no braço”, relembrou.
O papel do professor nas aulas de música Atualmente, a dinâmica funciona com o aluno completando frases e antecipando termos enquanto interlocutores escrevem em sua pele. É exatamente por meio desse canal que o instrutor Tácito Ribeiro conduz o ensino musical.
O educador relata que já lecionou para diferentes perfis de PCDs, mas jamais havia atendido alguém com surdez e cegueira simultâneas.
“Eu ensino ele escrevendo algumas notas em forma de números no braço dele. É devagar, com muita paciência, e a gente vê resultado. Já é difícil para alguém que escuta e vê tocar violino. Para alguém que não enxerga e não escuta a totalidade das afinações, é um milagre”, destacou o professor.
Planos para o futuro e novos projetos Além da dedicação ao projeto social, o capixaba retomou os estudos regulares, está prestes a finalizar o ensino médio e já projeta os próximos passos artísticos, nutrindo o desejo de compor suas próprias obras.
“Eu também escrevo. Um sonho que tenho é de que um dia alguma coisinha minha vire uma música. Eu fico muito contente sempre que as pessoas falam que, ao me ver, se sentem alegres e sentem vontade de superar desafios, obstáculos, explorar outros horizontes. E sei o que eu puder fazer para ajudar, eu farei”.








