Rondônia registrou o salto mais expressivo de votos para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, quando comparado aos demais estados da Região Norte. Mesmo com o domínio de Flávio Bolsonaro (PL), que conquistou a maioria em todos os municípios do estado, o petista viu seu desempenho crescer 17,47%, angariando 43.779 votos adicionais em relação à primeira etapa da disputa.
Os números do desempenho eleitoral Conforme os dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula saltou de 250.667 votos no primeiro turno para 294.446 no segundo. Embora o Pará tenha liderado em volume absoluto de novos votos para o candidato do PT na região, com um acréscimo de 263.212 sufrágios, a variação percentual rondoniense destacou-se como a maior entre os sete estados nortistas.
A força do bolsonarismo em Rondônia Para o cientista político João Paulo Viana, professor da Universidade Federal de Rondônia (Unir), a configuração do cenário eleitoral no estado é notável devido ao histórico de domínio da direita. Um estudo publicado em 2024 na revista Teoria e Cultura, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), realizado por Viana e pelo cientista político Marcio Carlomagno, aponta que Rondônia foi o único estado brasileiro onde Jair Bolsonaro venceu em todos os municípios nos quatro turnos das eleições de 2018 e 2022. Em 2026, a tendência se manteve com a vitória de Flávio Bolsonaro em todas as cidades rondonienses.
Fatores que explicam o aumento de votos Na análise de João Paulo Viana, dois elementos principais sustentam esse avanço do petismo. O primeiro diz respeito à candidatura própria do PT ao governo do estado, ausente nos pleitos anteriores. Segundo o professor, essa estratégia “Certamente contribuiu para mobilizar as bases locais da legenda e simpatizantes”.
Outro ponto fundamental reside na intensa mobilização nacional de correntes progressistas durante a reta final da campanha. Para o especialista, esse movimento teve repercussões diretas em um território marcado pelo conservadorismo. “Diante de um quadro altamente radicalizado à direita em Rondônia, esse engajamento nacional pró-Lula parece ter influenciado a militância petista e grupos sociais específicos a participarem ativamente, irem às ruas e declararem apoio ao candidato do PT”, afirmou Viana.
O impacto da polarização no comportamento do eleitor O professor também levanta a hipótese de que o clima de acirramento político inibiu eleitores não alinhados à direita de exporem suas escolhas. “Num contexto de radicalização conservadora, quando não há incentivos à mobilização, é possível que os cidadãos que pensam diferente tenham forte receio de se posicionar”, explicou.
O docente ressalta que esse medo de represálias, que inclui desde violência política até sanções no ambiente profissional ou familiar, acabou sendo mitigado pela força da mobilização do segundo turno. “Diante de um quadro altamente radicalizado à direita em Rondônia, esse engajamento nacional pró-Lula parece ter influenciado a militância petista e grupos sociais específicos”, concluiu o cientista político.








