O ex-senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno da eleição presidencial, deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos e publicou uma carta em que agradece ao presidente norte-americano, Donald Trump, e ao mandatário argentino, Javier Milei, pelo auxílio na sua saída do país.
Investigações e o inquérito no STF A partida ocorreu após ordens judiciais de apreensão de passaportes emitidas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da Polícia Federal. As autoridades apontavam risco de fuga em meio a investigações por lavagem de dinheiro em plataformas de apostas e evasão de divisas envolvendo o financiamento do filme Dark Horse.
Antes de chegar a Miami na manhã desta quarta-feira (28) ao lado da esposa e das duas filhas, a família cruzou a fronteira com a Argentina pela Ponte Internacional Tancredo Neves em Foz do Iguaçu, embarcando em seguida em um voo privado com escala no Equador.
Críticas às urnas e mudanças na carta No documento divulgado por sua assessoria, o candidato derrotado repete alegações infundadas de fraude na disputa vencida por Luiz Inácio Lula da Silva com 64 milhões de votos contra os pouco mais de 59 milhões obtidos por Flávio. A primeira versão do texto gerou polêmica ao utilizar o brasão republicano acompanhado da grafia obsoleta “Estados Unidos do Brazil”, além de se autoproclamar o “verdadeiro presidente eleito do país”, termo modificado trinta minutos depois para “líder do Brasil”.
Flávio também contestou a extensão de duas horas no horário de votação autorizada pelo ministro Cristiano Zanin a pedido dos partidos PL e PT. “Uma decisão do STF, tomada por cima da competência do TSE, estendeu a votação no apagar das luzes, e a ordem só chegou depois do fim do horário legal, quando as urnas já estavam encerradas”, reclamou. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a OEA e observadores internacionais atestaram a lisura do pleito.
O papel da oposição e o histórico familiar Na mesma mensagem, o político afirmou que comandará a oposição a partir do exterior. “Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr”, diz.
O movimento remete à trajetória de seu irmão mais novo, Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos desde março de 2025 e foi condenado pelo STF por articular sanções econômicas contra o Brasil para blindar o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente cumprindo pena de 27 anos por tentativa de golpe de Estado.
Repercussão internacional e jornalística A concessão de visto ao brasileiro gerou reações no exterior. O Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Estados Unidos, ligado aos democratas, criticou duramente o governo de Donald Trump. “Nenhum asilo para pessoas fugindo da guerra no Sudão ou de conflitos no Haiti, mas [o secretário de Estado Marco] Rubio está estendendo o tapete vermelho para Bolsonaro”, diz o post do comitê no X.
Em território nacional, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) emitiu um alerta sobre a necessidade de rigor na checagem e contextualização de discursos golpistas. “Alguns veículos de imprensa reproduziram, nesta quarta-feira, 28 de outubro, declarações de Flávio Bolsonaro que questionavam a lisura do processo eleitoral brasileiro. Parte desse material, porém, deixou de contextualizar que negociar com governos, ou grupos estrangeiros para provocar desestabilização nacional ou invasão do território, pode configurar crime, conforme as circunstâncias e o enquadramento legal”, diz a nota. “O papel do jornalismo não é apenas repercutir falas, mas oferecer à sociedade informações verificadas, contextualizadas e precisas”, acrescenta.








