Cenas inéditas de antas banhando-se com seus filhotes, além de veados-mateiros e iraras circulando livremente, foram capturadas por um sistema de monitoramento na Serra do Tepequém, em Amajari, Roraima. As imagens, reveladas recentemente, integram a etapa inicial de um projeto científico desenvolvido na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Sesc Tepequém.
Tecnologia a serviço da biodiversidade
O projeto utiliza armadilhas fotográficas, dispositivos de alta precisão que são ativados por sensores de calor e movimento. Com apenas sete dias de operação, a iniciativa já documentou uma vasta gama de espécies, incluindo tamanduás, cutias, jacamins e catitus. O objetivo central é mapear o comportamento, os horários de atividade e as rotas de deslocamento da fauna local, fornecendo dados essenciais para o planejamento de estratégias de proteção ambiental.
Monitoramento estratégico em área preservada
A reserva, que abrange cerca de 54,6 hectares de mata nativa protegida desde 2001, conta com cinco câmeras estrategicamente posicionadas. A escolha dos locais foi realizada após uma análise minuciosa de trilhas, pegadas e fontes de água. Esse método permite registrar o cotidiano dos animais sem qualquer interferência humana, garantindo que o comportamento das espécies seja captado de forma natural, tanto sob a luz do dia quanto durante o período noturno.
A ciência como aliada da conservação
A bióloga e analista técnica de Educação Ambiental do Sesc Roraima, Jadna Alves, destaca que a iniciativa supre uma lacuna fundamental sobre o conhecimento do ecossistema local. “O principal objetivo é conhecer os animais que circulam nessa área preservada e entender como podemos trabalhar na conservação da fauna. Existe um ditado que diz que precisamos conhecer para conservar, e é justamente esse o sentido do nosso trabalho”, explicou.
Além de gerar um banco de dados valioso para pesquisas científicas e ações de educação ambiental, o projeto destaca a relevância de espécies como a anta, que atua como uma dispersora natural de sementes. Esse papel biológico é crucial para a regeneração contínua da vegetação, reforçando a importância de manter a integridade da floresta para o equilíbrio ambiental da região.








