Aos 86 anos e dono de uma trajetória que ultrapassa seis décadas dedicadas à música sertaneja raiz, o cantor Sérgio Reis demonstra fôlego invejável e segue firme nos palcos.
Parceria histórica com Almir Sater Junto ao grande amigo de longa data Almir Sater, o artista comanda a turnê conjunta intitulada “Modas & Memórias”. A relação entre os músicos transcende os palcos e marcou a história da televisão brasileira em produções memoráveis. Sobre como essa união artística começou, o cantor relembrou: “É, realmente foi uma coisa boa que eu consegui fazer: levar o Almir pra novela Pantanal. E aí ele decolou de jeito, depois fez A História de Ana Raio e Zé Trovão, fizemos O Rei do Gado, e ele virou esse grande violeiro, esse grande irmão, baita compositor. Então, estar junto com ele é sempre agradável.”
A dinâmica nos palcos e o repertório afetivo Vizinhos na Serra da Cantareira e com uma convivência fraterna, a dupla leva para a estrada um espetáculo repleto de clássicos inesquecíveis. Questionado sobre quais canções o público mais solicita durante as apresentações, o veterano destacou: “Ah, ‘Tocando em Frente’, pra começar. ‘Pinga Ni Mim’, ‘Panela Velha’, ‘Filho Adotivo’… Tem tanta música, nossa senhora.” Ele ainda ressaltou a importância do autor das tramas que impulsionaram suas carreiras: “O Benedito Ruy Barbosa merecia esse carinho. Eu e o Almir Sater devemos a nossa carreira ao Benedito Ruy Barbosa, com um texto maravilhoso, uma cabeça pensante maravilhosa. Criou os personagens, Saracura, Pirilampo.”
Saúde restabelecida e recusa à aposentadoria Recentemente, o músico enfrentou um momento delicado de saúde, mas já está totalmente recuperado. “Saí do hospital ontem. Fiquei nove dias internado tratando uma pneumonia. Cheguei ontem em casa”, explicou, garantindo estar pronto para os próximos compromissos.
Para o cantor, pendurar os microfones é algo completamente fora de cogitação, comparando a responsabilidade do artista com a de ícones internacionais e nacionais: “Eu vou fazer uma pergunta para você: você gostou quando Elvis Presley morreu? Não. Eu também não, ele nos abandonou. Eu conheci em Los Angeles a Whitney Houston, aquela cantora excepcional… De repente, essa cantora morre. É um abandono isso. Nós não podemos abandonar o nosso povo. Não podemos. Seria uma traição, e eu não posso fazer essa traição com o meu povo. Porque onde eu vou tem público, muita gente. Então nós temos que cuidar da vida, cuidar da saúde, pra que a gente possa cantar mais pra eles. O povo precisa da gente, nos acompanha, nos dá carinho, amor, tudo.” Ele ainda completou citando outra referência viva: “Isso chama-se amor ao público. Você vê o Tony Tornado: mais de 90 anos e ainda canta. É brincadeira isso? Eu tenho profundo respeito e admiração pelo Tony Tornado, pela pessoa que ele é. Assisti a ele esses dias na televisão, bonitão, cabelo branco, o filho dele cantando junto… Deram um show! Não podemos parar. Quem para cedo é jogador de futebol que não tem mais fôlego; nós ainda temos.”
Serviço do show A turnê “Modas & Memórias” segue sua agenda levando o melhor da viola caipira para diversas regiões, celebrando a cultura popular e a amizade inabalável entre dois dos maiores nomes da nossa música.








