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Seca e incêndios destroem colmeias e derrubam produção de mel

O fenômeno climático impacta drasticamente a apicultura e a agricultura familiar em diversas regiões do estado de Roraima.

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Seca e incêndios matam abelhas e fazem produção de mel despencar em Roraima

A combinação de uma estiagem prolongada com o avanço descontrolado de incêndios florestais tem gerado um cenário de crise para os produtores rurais em Roraima. A escassez de chuvas e as altas temperaturas prejudicam diretamente a floração, deixando as abelhas sem acesso a néctar e pólen, o que resulta na morte dos insetos e em uma queda expressiva na colheita de mel.

Crise na apicultura e fuga de enxames

O impacto financeiro é sentido na prática por apicultores como José Pinheiro, que mantém criações na zona rural de Boa Vista. O produtor relata que a falta de recursos naturais forçou a migração de parte de seus enxames. Com a redução populacional, ele precisou remover caixas de captação, agravando a perda de produtividade. “Nos meus apiários, eu já cheguei a produzir até cinco toneladas de mel. Hoje, só estou tirando uma tonelada”, lamenta.

O problema é intensificado pelo terreno no lavrado, vegetação típica da região que, por ser seca, facilita a propagação do fogo. “Quando pega fogo nesse lavrado, não tem como a gente apagar. A labareda é muito forte”, relata José.

Destruição por queimadas e prejuízos no campo

A fragilidade das propriedades rurais diante das chamas foi evidenciada pelo caso do apicultor Anderson Freitas, que perdeu mais de 20 colmeias após um incêndio atingir 200 hectares. O fogo teve início quando o escapamento de um veículo entrou em contato com a vegetação seca, destruindo não apenas o apiário, mas também o carro e equipamentos de transporte. “É um sentimento muito ruim, ver tudo se acabar e não poder fazer nada. Tive que me afastar e preservar minha vida, porque não conseguia apagar aquele fogo”, relembra.

Além da apicultura, a agricultura sofre com a falta de água para irrigação. O produtor Carlos Pereira, que investiu cerca de R$ 12 mil em uma plantação de tomates, viu grande parte de sua safra ser perdida. “Se continuar mais cinco ou seis meses de verão, eu vou parar. Sem água, não tem como produzir”, afirma.

Ações do governo e combate ao fogo

Diante da gravidade da situação, o Governo de Roraima decretou situação de emergência e estabeleceu um gabinete de crise. A preocupação das autoridades é amplificada pela previsão do fenômeno El Niño. O diretor executivo da Defesa Civil Estadual, coronel Cidinei Lima da Silva, reforça a mobilização das equipes. “Os municípios de Iracema, Cantá e Normandia já decretaram situação de emergência. Estamos apoiando com reforço de materiais, como kits de combate, ferramentas e bombas abafadoras”, diz.

Com mais de 360 focos de calor registrados em outubro, o estado se aproxima de patamares históricos. Para minimizar os danos, o governo tem intensificado ações de conscientização, proibindo e orientando produtores rurais contra o uso do fogo para a limpeza de terrenos durante o período de seca extrema.

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