Fiéis vindos de diversas regiões acreanas e de estados vizinhos lotaram a Catedral Nossa Senhora de Nazaré, localizada no Centro de Rio Branco, para acompanhar a posse de Dom Antônio Fontinele. A missa solene teve início às 8h e uma estrutura com telão foi montada na parte externa para abrigar o público que não conseguiu espaço no interior do santuário.
Nova liderança religiosa
O religioso foi nomeado pelo Papa Leão XIV no dia 18 de setembro, tornando-se o sexto clérigo a liderar a Igreja Católica na região desde a fundação da Prelazia Acre-Purus, em 1920. Antes do início da celebração, Dom Fontinele comentou sobre o acolhimento que recebeu da comunidade local.
“Foi um momento muito particular e especial para mim, para toda a comunidade. Primeiro, cheguei como administrador apostólico dessa diocese e fiz um processo de escuta para ouvir as pessoas que aqui vivem e convivem nessa igreja com os presbítero, com os religiosos, diáconos, seminaristas, com os leigos. Então, foi um momento de muita proximidade, acolhida e de conhecimento mútuo para que a gente pudesse dar início a essa caminhada de evangelização aqui na Diocese de Rio Branco”, afirmou.
Para o sacerdote, a ocasião representa gratidão, alegria e a resposta a um chamado divino. “É Deus que nos chama, convoca, capacita e nos envia. Então, aqui estou e disse sim para o bem da igreja, não pensando em mim, mas pensando nessa missão que Deus me confiou. Para isso, peço a acolhida para entrar na casa, nessa igreja de Rio Branco, a oração de todos e que me ajudem porque a missão é de todos nós”, frisou.
Caravanas do interior
A celebração atraiu moradores de várias cidades, mobilizando caravanas inteiras. Aos 72 anos de idade e católica fervorosa, Luiza Martins viajou de Feijó para prestigiar o evento, relembrando que esteve presente na posse de Dom Joaquín Pertíñez em 1999.
“É muito importante porque sem o líder a gente não tem um caminho a seguir. A gente sabe que ele recebe as ordens do Papa e é por aí que a gente tiene que seguir o caminho. Temos aí um bispo brasileiro, sempre tivemos bispo estrangeiros e agora vamos temos um brasileiro. É importante a gente estar presente porque é uma força que gente traz pra igreja”, celebrou.
De Plácido de Castro, Maria Elcimar da Silva, de 57 anos, destacou a relevância da figura episcopal para os fiéis. “Nunca deixamos de vir um evento grandioso e, principalmente, uma posse assim porque o nosso bispo ele é o nosso pai, nosso pastor e representante direto de Cristo, então, não podemos deixar passar um evento grandioso desse e importantíssimo pra nossa fé católica. Nós que somos católicos nos sentimos meio que órfão quando o Dom Joaquín falou da sua renúncia. Hoje com essa posse oficial, estamos com o coração gratificado novamente, nossa fé, esperança nos sentimos novamente com o pai”, complementou.
Representando a cidade de Boca do Acre, no Amazonas, Rita de Cássia participou anteriormente das posses de Dom Moacyr Grechi, em 1973, e de Dom Joaquín Pertíñez. “Sabe Deus se vou passar por outro momento desse. É importante a gente estar aqui para receber a unção dele em nossa vida, paróquia e a diocese. É um marco muito grande para a diocese de Rio Branco, tenho certeza que cada um de nós é privilegiado. Estou muito emocionada em saber que mais uma história se inicia”, explicou.
Expectativa da comunidade
O impacto da solenidade também foi sentido por trabalhadores tradicionais da catedral. João Nogueira de Lima Filho, pipoqueiro de 29 anos que atua no local há duas décadas seguindo os passos do pai, relatou a ansiedade prévia para o evento. “Recebemos de portas abertas o novo bispo. A quantidade de gente é inexplicável para ver ele e a celebração. Estamos aqui para atender todo mundo, não consegui dormir direito porque é muito emocionante para mim”, pontuou.
O professor de ciências Paulo Victor, de 25 anos, integrante da pastoral da juventude onde o novo bispo já atuou, resumiu o sentimento geral dos fiéis presentes. “A gente fica extremamente feliz pela presença dele como o nosso bispo agora da Diocese de Rio Branco. Saber que a gente, as outras pastorais e a comunidade podem contar com ele, nos deixa muito feliz porque a gente consegue sentir que temos um rumo, um bispo, um pastor e, como ovelhas, nos sentimos ouvidos, seguidos e acolhidos por ele”, contou.








