Pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) lançaram o Alerta Animal, uma solução tecnológica voltada para o monitoramento de atropelamentos de fauna. O aplicativo funciona como um banco de dados colaborativo, registrando pontos críticos em estradas e áreas urbanas onde a travessia de animais oferece riscos elevados.
Como funciona o mapeamento de fauna
O uso da ferramenta é intuitivo: ao avistar um animal atropelado, o cidadão registra a ocorrência no sistema, identificando a espécie. O software captura automaticamente as coordenadas geográficas do local e permite que fotos sejam anexadas. Desde o seu lançamento, em março, o sistema já contabilizou mais de 200 registros.
O Núcleo de Reabilitação da Fauna Silvestre da UFPel (NURFS) alerta que a subnotificação é um desafio, já que muitos animais morrem instantaneamente com o impacto e não chegam a ser resgatados. “Muitos animais silvestres, ao serem atropelados, não sobrevivem por conta da massa corporal ser muito pequena”, explica Mariana Diniz, estagiária do NURFS. Nos últimos cinco anos, o núcleo recebeu mais de 150 mamíferos vítimas de colisões.
Estratégias para conservação e segurança
A intenção da equipe é utilizar esses dados para fundamentar políticas públicas. Com o mapeamento preciso, gestores podem avaliar a implementação de passagens de fauna, sinalização reforçada ou mecanismos de redução de velocidade.
Além da conservação, o projeto favorece a logística de soltura de animais recuperados. “Se a gente conseguir reabilitar esse animal e reintroduzir ele na natureza, temos acesso às coordenadas geográficas e podemos, de repente, tentar fazer a soltura nesse local onde ocorreu o atropelamento para aquele animal voltar para a região de onde ele veio”, explica a coordenadora do NURFS, Raqueli França.
Impacto no trânsito
O levantamento também é visto como uma medida essencial para a segurança viária. A Polícia Rodoviária Federal reforça que colisões com animais, especialmente espécies de grande porte, representam um perigo real para ocupantes de veículos. A dificuldade de frenagem ou desvio em situações inesperadas nas rodovias é uma das causas frequentes de acidentes, reforçando a importância de identificar áreas de maior trânsito de animais silvestres e domésticos.








