A partir de janeiro, a governadora reeleita Celina Leão (PP) assumirá o comando do Distrito Federal com uma missão complexa: reverter a forte deterioração nos indicadores da rede pública de ensino, que perdeu posições de destaque e hoje sofre com problemas estruturais e pedagógicos.
Queda histórica no Ideb e desempenho abaixo da média
O cenário mais alarmante está nos resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). O Distrito Federal foi a única unidade federativa a registrar recuo no índice do ensino médio, contrariando a tendência nacional de melhora. Nas escolas públicas locais, as metas estipuladas não foram alcançadas em nenhum ciclo avaliado, deixando a capital abaixo da média do país em todas as etapas.
Em entrevista à TV Globo em setembro, a então candidata defendeu que houve avanços e culpou o sistema de reprovação pelas notas ruins. “Aqui no Distrito Federal, com duas matérias, você reprova, e a opção de vários estados é não ter reprovação. Quando você não tem reprovação, isso impacta diretamente no índice do Ideb”, disse. Diante do desgaste, a gestão substituiu Iêdes Braga por Thiago Peixoto no comando da Secretaria de Educação.
Déficit de efetivos e conflito com professores
Outro ponto crítico é a alta dependência de mão de obra temporária. Atualmente, 16.912 servidores possuem contratos temporários, o equivalente a 34,6% do total de 48.820 trabalhadores ativos na pasta. Para tentar amenizar o problema, o governo anunciou a convocação de 2,6 mil aprovados no concurso de 2022 e prometeu um novo edital com mais de 10 mil vagas, após cobrança do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF).
A relação com o funcionalismo, contudo, segue desgastada. A implementação de novas diretrizes pelo novo secretário motivou uma greve convocada pelo Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF) em outubro, protestando contra medidas consideradas autoritárias, como a imposição de um novo calendário e a escolha de materiais didáticos sem consulta prévia. Celina criticou a paralisação, classificando o ato como eleitoreiro, e o canal de diálogo com a categoria permanece travado.
Metas para o ensino integral e infraestrutura precária
No plano de governo, a expansão do ensino em tempo integral figura como prioridade, embora apenas 7% dos estudantes estejam nessa modalidade atualmente. A meta é iniciar a ampliação pelas áreas mais vulneráveis e expandir progressivamente, desafio que esbarra nas condições físicas das unidades. Em outubro, o teto de uma escola no Paranoá que funcionava em estrutura provisória desde 2016 desabou, evidenciando as falhas estruturais da rede.
Questionada, a Secretaria de Educação informou que executa programas voltados à aprendizagem e à melhoria contínua da infraestrutura, mantendo dezenas de contratos ativos de manutenção predial. Cabe agora ao novo mandato transformar as promessas de modernização, construção de refeitórios, climatização de salas e reestruturação de carreira em realidade para recuperar o prestígio da educação brasiliense.








