Estudantes brasileiros que residem em cidades de fronteira enfrentam uma grave crise financeira após a suspensão das atividades do Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras digitais do Paraguai, que deixou milhares de clientes sem conseguir movimentar suas reservas.
Impacto na rotina de universitários Entre os afetados está Vinicius Eduardo Nunes Pereira da Silva, que cursa medicina em Cidade do Leste e viu o valor reservado para quitar seus estudos ficar inacessível justamente na véspera do vencimento da mensalidade acadêmica.
Morando há cerca de três anos no país vizinho e atuando profissionalmente no Brasil para custear moradia, alimentação e mensalidade da faculdade, o jovem foi surpreendido pela medida drástica adotada pelo órgão regulador paraguaio na última terça-feira (3), quando a entidade teve suas operações paralisadas devido a instabilidades financeiras.
“Para mim foi muito inesperado, porque como eu tenho dia certo pra pagar minha mensalidade, num dia tava o dinheiro lá, daí no outro dia quando eu vou ver já tá bloqueado, não consigo nem mostrar meu saldo. A gente fica desamparado”, relatou.
Medidas de ressarcimento do Banco Central Enquanto correntistas aguardam a liberação integral dos valores, o Banco Central do Paraguai iniciou na quinta-feira (5) o repasse inicial para contas com saldo de até 10 milhões de guaranis, montante próximo a R$ 8,8 mil.
Até o momento, a primeira fase de restituição já injetou cerca de 197,191 milhões de guaranis paraguaios no sistema, o equivalente a aproximadamente R$ 176 milhões para beneficiar cerca de 722 mil pessoas.
Busca por alternativas financeiras Como a instituição de ensino exige adimplência para a liberação de avaliações acadêmicas, o estudante corre o risco de arcar com taxas extras caso perca o prazo oficial, o que o levou a buscar um acordo trabalhista com sua empregadora em território brasileiro.
“Eu estou conversando com minha patroa lá do Brasil pra fazer um adiantamento pra eu conseguir fazer o pagamento.”
A escolha pelo banco digital havia ocorrido justamente para otimizar os custos de transição monetária, permitindo uma economia mensal estimada entre R$ 50 e R$ 100 em taxas de câmbio nas transferências rotineiras entre o Brasil e o Paraguai.








