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Seca extrema transforma rio na Ilha do Bananal em banco de areia

Imagens aéreas revelam o impacto dramático da estiagem no Rio Javaés e o agravamento da crise hídrica que afeta comunidades locais.

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Imagens aéreas mostram seca em rio da maior ilha fluvial do mundo, no TO; assista

Novas imagens aéreas capturadas no Rio Javaés, situado no sudoeste do Tocantins e na maior ilha fluvial do mundo, evidenciam a gravidade da estiagem na região com extensos bancos de areia onde antes havia abundância de água.

Registros na Ilha do Bananal Os vídeos foram produzidos por Eduardo Hararuwe, servidor do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo) e morador indígena local. Nas gravações realizadas nas proximidades de Formoso do Araguaia e da aldeia Txuiri, ele aparece cruzando a pé um trecho do rio onde a profundidade habitual cobriria um adulto, mas que atualmente atinge apenas a altura da canela.

Fatores climáticos e pressões ambientais De acordo com o agente do Prevfogo, a degradação do Rio Javaés decorre da união entre o cenário climático global e as pressões antrópicas exercidas sobre o bioma Cerrado. Entre as causas destacadas estão a queda no volume de chuvas, o desmatamento, a destruição de matas ciliares e Áreas de Preservação Permanente (APPs), o assoreamento por queimadas e a captação desregulada de água para a irrigação agrícola.

Prejuízos à segurança alimentar A comunidade tradicional Javaé expressa forte preocupação com a rapidez da baixa nos mananciais, o que compromete o cotidiano e a subsistência de quem vive às margens do curso d’água. Cleber Javaé, supervisor estadual de brigadas do Prevfogo, relata os prejuízos locais:

“A situação gera impactos negativos direto nos hábitos das comunidades locais, como a redução drástica de peixes, que são a base da alimentação das comunidades Javaé. Estamos sofrendo na prática os efeitos das mudanças climáticas, por isso é urgente a conscientização sobre o uso responsável dos recursos naturais”, alertou o agente.

Decreto de emergência no Tocantins Diante desse panorama crítico, o governo estadual oficializou um decreto no Diário Oficial de 20 de outubro de 2026 reconhecendo os prejuízos sociais e econômicos da seca prolongada. A decisão ampara-se em dados do Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), que indicavam a presença de seca em cerca de 95% do território tocantinense durante o mês de agosto do mesmo ano, com ampliação das áreas de seca moderada de 33,57% para 57,44% na comparação com julho.

O plano de resposta envolve ações de assistência humanitária, suporte econômico aos produtores rurais, saúde pública e monitoramento ambiental. A coordenação ficou sob responsabilidade do Corpo de Bombeiros Militar do Tocantins, por meio do Comando de Ações de Defesa Civil, que articula o atendimento aos municípios afetados e o fornecimento emergencial de água. O governo estadual ressalta que eventuais chuvas passageiras não garantem a recuperação imediata dos níveis e vazões dos rios locais.

Crise hídrica em municípios Os reflexos da escassez de água atingem outras regiões, como em Paraíso do Tocantins, na área central do estado, onde a prefeitura decretou emergência devido à situação extrema no Rio do Coco e ao esgotamento do reservatório da Barragem do Coco. O cenário resultou em rodízio no abastecimento, impactos no comércio e suspensão ou redução das atividades escolares em sete unidades de ensino, operando o reservatório em volume morto conforme a Defesa Civil Municipal.

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