Uma investigação científica conduzida pela Universidade Federal do Amapá (Unifap) revelou a presença de contaminação fecal em poços artesianos utilizados por moradores de diversos bairros de Macapá. O levantamento, que avaliou a qualidade da água em 22 localidades da capital, destacou índices preocupantes em regiões como Congós, Renascer e Santa Rita.
Riscos bacteriológicos identificados
Os resultados do mapeamento são alarmantes, especialmente no bairro Renascer, onde 60,6% das amostras coletadas registraram coliformes totais e 24,2% apresentaram a bactéria Escherichia coli (E. coli), um indicador direto de poluição por dejetos fecais. No bairro Congós, a incidência de coliformes totais atingiu 48,1% dos pontos analisados. Além disso, nas proximidades do Cemitério São José, na Zona Sul, seis das sete amostras indicaram a presença de bactérias.
Fatores de contaminação e metodologia
A principal causa apontada pelos especialistas para o problema é a proximidade inadequada entre as fossas sanitárias e os poços domiciliares, o que facilita a infiltração de esgoto no lençol freático. A coleta de material ocorreu diretamente nas torneiras das residências, o que significa que o problema pode estar localizado tanto no poço quanto na rede de distribuição, tubulações ou caixas d’água.
O pesquisador responsável pelo estudo, Marcelo Oliveira, esclareceu o significado dos achados: “Os coliformes e a E. coli são grupos de bactérias presentes no trato intestinal humano e de outros seres vivos, indicando uma provável contaminação fecal. Isso não significa que a pessoa que consumir essa água necessariamente adoecerá, mas mostra que existem condições favoráveis para a presença de outros micro-organismos capazes de causar doenças”.
Alterações químicas e orientações
Além da contaminação bacteriana, a equipe técnica observou variações nas propriedades químicas, como níveis elevados de acidez e a presença de metais. Contudo, Marcelo Oliveira pondera que esses fatores precisam de contexto: “Essa é uma condição natural da nossa região. É comum encontrarmos níveis mais elevados de acidez em águas de poços e até mesmo em águas superficiais. Embora alguns parâmetros tenham apresentado variações, a própria legislação considera essas características dentro da realidade ambiental local”.
A orientação dos pesquisadores para a população é clara: ao detectar qualquer alteração ou suspeita de contaminação, o consumo deve ser interrompido imediatamente. É fundamental que os moradores realizem uma vistoria técnica completa em todo o seu sistema hidráulico, incluindo a limpeza de caixas d’água e a inspeção das condições estruturais dos poços.








