Uma operação conjunta entre a Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme) e o Exército Brasileiro resultou na desarticulação de uma organização criminosa que utilizava cursos fictícios de formação de sargentos da reserva para viabilizar a aquisição ilegal de armas de fogo. Durante a ação, as autoridades efetuaram a prisão de dois envolvidos, enquanto um terceiro suspeito permanece foragido. No total, cinco pistolas e um fuzil foram confiscados, acompanhados de uma grande quantidade de documentos adulterados.
Como funcionava a fraude documental
Os criminosos criavam uma estrutura que simulava cursos preparatórios, incluindo a realização de aulas presenciais e a aplicação de provas, com o objetivo de conferir uma aparência de legitimidade à formação dos alunos. Ao final desse processo fraudulento, o grupo emitia identidades militares e autorizações de compra de armamentos contendo assinaturas falsas de oficiais do Exército. Esses papéis eram então apresentados em lojas especializadas para a aquisição de armamento.
Além disso, a quadrilha forjava Certificados de Registro de Arma de Fogo (CRAF), documento indispensável para que o comprador pudesse retirar o produto nos estabelecimentos comerciais. O prejuízo evitado pela polícia inclui cinco armas, avaliadas em cerca de R$ 50 mil, que compreendem quatro pistolas calibre .40, uma pistola 9 mm e um fuzil calibre 5,56 mm. Parte desse arsenal ainda estava retida nas lojas no momento da operação, o que impediu que o armamento chegasse às mãos dos compradores.
Desdobramentos da investigação
O trabalho investigativo teve início há dois meses, motivado pela prisão em flagrante de um indivíduo que tentou adquirir uma pistola utilizando documentação falsa. A partir da análise desse caso, os agentes da Desarme constataram um padrão recorrente de falsificação em diversas outras transações. O Exército Brasileiro, ao ser consultado, confirmou a ilegitimidade das autorizações e dos documentos apresentados.
A Justiça do Rio de Janeiro determinou que as armas apreendidas durante a ação poderão ser incorporadas ao acervo da Polícia Civil. Enquanto isso, as investigações continuam com o foco em identificar os mentores responsáveis pela organização dos cursos, os articuladores da falsificação documental e eventuais outros participantes do esquema criminoso.








