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Eleições 2026: as propostas de Lula e Flávio Bolsonaro para o clima

Especialistas analisam os planos de governo dos presidenciáveis voltados à transição energética e à sustentabilidade no Brasil.

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Eleições 2026: o que Lula e Flávio Bolsonaro propõem para clima e energia 

As mudanças climáticas e a transição para fontes limpas figuram entre os principais desafios que o próximo líder do Palácio do Planalto precisará administrar. Especialistas avaliaram as diretrizes apresentadas por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) para esses setores fundamentais.

Os desafios globais da matriz energética

A transição energética envolve reformular a produção e o consumo global de eletricidade e combustíveis. Durante décadas, a sociedade dependeu da queima de recursos fósseis, como carvão, petróleo e gás natural. Agora, a meta é migrar para opções renováveis, a exemplo da energia solar, eólica, biomassa e hidrogênio verde.

O Brasil ocupa posição de destaque nesse cenário por contar com uma matriz limpa e alto potencial natural. Paralelamente, eventos extremos como secas e enchentes exigem respostas rápidas na infraestrutura. Sobre a vulnerabilidade climática do país, Paulo Eduardo Artaxo Netto, físico e professor da USP, destaca a importância da atuação governamental: “É evidente que sem políticas públicas adequadas e implementadas corretamente, obviamente não temos saída para a questão das mudanças climáticas”.

Diretrizes da candidatura petista

No plano de Lula, a pauta ambiental e a transição ecológica aparecem integradas ao crescimento econômico. A meta é cortar entre 59% e 67% das emissões líquidas de gases estufa até 2035, tendo como base os índices de 2005.

Artaxo elogia os resultados recentes na região amazônica. “Tivemos uma redução do desmatamento da Amazônia em 51%, que é um valor extremamente elevado. Nenhum outro país reduziu as suas emissões com a magnitude que o Brasil reduziu”.

A estratégia inclui ampliar a infraestrutura solar e eólica, incentivar biocombustíveis e manter a exploração de petróleo no Pré-Sal via Petrobras. Contudo, o pesquisador aponta lacunas: “Agora, nós temos que avançar na questão, por exemplo, da implementação da transição energética, que ainda está realmente engatinhando no Brasil, infelizmente, e é fundamental que, se reeleito, Lula efetivamente implemente políticas que façam da transição energética um ponto central da questão climática como um todo”.

No aspecto legislativo, o professor sinaliza obstáculos: “Lula vai ter que enfrentar um congresso dominado pela extrema direita que sempre se opôs a cláusulas como combate ao crime organizado na Amazônia e à grilagem de terras na Amazônia e assim por diante. Isto, certamente, vai trazer dificuldades na implementação de políticas no próximo governo”. O plano também prevê proteger o orçamento familiar com programas como o Luz do Povo e fortalecer órgãos de fiscalização.

Planos da chapa do PL

A proposta de Flávio Bolsonaro busca aliar a preservação ambiental à segurança nacional, competitividade do agronegócio e avanço tecnológico, priorizando a iniciativa privada e minerais críticos como lítio e terras raras.

Artaxo manifesta ceticismo quanto à execução dessas medidas e faz ressalvas sobre o alinhamento ideológico: “Governos de extrema direita, como o possível governo de Flávio Bolsonaro, são conhecidos por não tratar adequadamente a questão das mudanças climáticas, inclusive com uma postura negacionista de negar que elas existem e de, essencialmente, priorizar a exploração o máximo possível dos recursos naturais sem efetivamente cuidar dos interesses da população como um todo”.

Entre as iniciativas do candidato estão a criação de data centers sustentáveis, cortes de impostos na conta de luz, estímulo ao mercado de créditos de carbono e fortalecimento da Defesa Civil.

Recomendações do setor solar

Em comunicado, a ABSOLAR destacou que a próxima gestão precisará flexibilizar o sistema elétrico e atrair aportes bilionários. “Independentemente dos resultados eleitorais, a ABSOLAR defende políticas públicas de curto, médio e longo prazos que permitam transformar a abundância de recursos renováveis do Brasil em competitividade, empregos e desenvolvimento econômico”, pontua a nota.

A entidade reforçou ainda a disposição para o diálogo: “A associação manterá diálogo institucional construtivo com os próximos governos federal e estaduais, o novo Congresso Nacional e as assembleias legislativas, contribuindo com recomendações técnicas e de mercado, baseadas em boas práticas internacionais adaptadas à realidade brasileira”.

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