Uma leitoa que tinha como destino certo a engorda e o abate para virar prato principal em uma ceia festiva de fim de ano escapou da morte e agora vive protegida em uma instituição de amparo a animais no Rio Grande do Sul.
A salvação e a chegada ao novo abrigo
Batizada de Criba, a porquinha foi levada na semana passada para a Associação Cavalo de Lata, localizada no município de Santa Cruz do Sul, região do Vale do Rio Pardo. A iniciativa de resgate partiu de uma protetora de animais que soube qual seria o fim do animal na rifa e decidiu comprá-lo para evitar o abate.
Embora o foco principal da entidade seja o acolhimento de equinos que sofreram abusos ou negligência, a diretoria não hesitou em abrir as porteiras para receber a nova moradora.
Rotina de carinho e convivência inusitada
O plano inicial era que Criba dividisse o espaço com Bacon, um porco de grande porte que atua em projetos educacionais voltados a estudantes que visitam o local. Contudo, devido ao seu pequeno porte, a leitoa precisou ser alojada provisoriamente junto ao viveiro dos felinos.
A adaptação foi imediata e marcada por muito afeto. De acordo com a diretora da instituição, Ana Paula Knak, a porquinha demonstra uma personalidade extremamente dócil e afetuosa, acompanhando de perto os passos de quem trabalha no local.
“Ela é tão cativante, tão amorosa e tão dada que acabou ficando muito mais do que um pet. Está com a gente o tempo inteiro, corre atrás da gente, caminha, não incomoda. É a coisa mais amada do mundo”, conta Ana Paula.
Amizade com cavalo idoso
Em pouco tempo de convivência, a leitoa elegeu um parceiro favorito na propriedade: Miolo, um cavalo idoso que também é assistido pelo abrigo. A rotina dos dois inclui momentos de descanso juntos, com Criba deitando sempre encostada no equino.
Para a protetora autônoma Janaina Poletto, responsável por intervir na situação, a atitude simboliza a luta diária pela preservação de todas as espécies.
“Como protetora de animais, penso que nenhuma vida pode ser tratada como objeto, como mercadoria. Só pensei que precisava fazer algo pra mudar o destino dela. E sou muito grata à Ana e ao Duani, do Cavalo de Lata, que abriram as portas do sítio para acolhê-la. Hoje, ver ela segura, podendo viver em paz, é uma alegria enorme. Não podemos salvar todos, mas mudar o destino de uma vida já faz tudo valer a pena”, afirmou Janaina.
O final feliz da leitoa reforça a filosofia de valorização da vida defendida pelos responsáveis pelo projeto de acolhimento.
“A gente também diz que toda vida importa. Brincamos que ela ganhou na loteria. Era uma rifa, mas quem ganhou na loteria foi ela. E nós também, porque a amamos. Ela é muito querida”, conclui Ana Paula.








