Um episódio assustador envolvendo um walkie-talkie de brinquedo mobilizou a segurança e gerou pânico em uma família na capital gaúcha. O caso ocorreu na noite de uma quinta-feira (15), quando o radinho começou a transmitir a voz de um homem desconhecido que tentou se comunicar com uma menina de apenas 4 anos. A mãe registrou boletim de ocorrência no dia seguinte.
Investigação policial e perícia técnica O aparelho eletrônico será recolhido pela corporação e passará por exames periciais. O procedimento ocorre após o trâmite da ocorrência para a delegacia especializada na proteção de menores. O diretor da divisão responsável confirmou que o caso está sendo encaminhado e que a responsável pela vítima será ouvida formalmente pelas autoridades.
Alcance curto aumenta o temor de vizinhança Um dos maiores receios da família está nas especificações técnicas do equipamento comercializado pela Candide Brinquedos, o modelo Walkie Talkie Guerreiras do K-Pop. Segundo o manual de instruções, o sinal tem limitação de 500 metros, o que sugere que a transmissão tenha partido de locais próximos.
“O que me deixou mais assustada, além da frase usada é pela quilometragem, de ser muito pouca, de ser provavelmente alguém do prédio, ou do condomínio, ou da redondeza. É bem assustador. Fiquei bem apavorada. Ainda estou, na verdade”, afirma a mãe, uma empresária de 30 anos.
Detalhes da transmissão interceptada A sequência de eventos começou quando a moradora percebeu barulhos e diálogos estranhos vindos do brinquedo interativo. Ela relatou que o equipamento já havia reproduzido falas desconhecidas em momentos anteriores, sem que houvesse interação da criança.
“Levantei, peguei o radinho e fiquei escutando. Ele falou assim: tu sabe com quem tá falando? Aí apareceu a voz de uma criança falando papai. Aí ele fala: não, você está falando com o lobo cinzento”, relata a mulher.
Suspeita de monitoramento ambiental Especialistas do Ministério Público do Rio Grande do Sul apontam que a alcunha utilizada pode indicar características de um predador. A tensão aumentou quando a mãe percebiu indícios de que o sistema de comunicação poderia estar captando o som interno da residência.
“Eu estava perguntando há pouco se a minha filha queria comer massinha, e ele perguntou alguma coisa de massinha. Parecia que ele estava escutando tudo que estava acontecendo aqui dentro”, relata a vítima.
“Aí eu interferi na ligação dele. Perguntei quem estava falando. Aí ele falou assim: o lobo cinzento que vai pegar o teu filho.”
Impacto psicológico na vítima mirim O incidente gerou sequelas emocionais imediatas na rotina da menina, que passou a manifestar medo constante após as ameaças verbais transmitidas pelo canal de rádio.
“A minha filha começou a chorar, a perguntar se o lobo ia pegar ela. A guria não vai nem ao banheiro sozinha mais agora porque está traumatizada.”
A fabricante do produto foi procurada para prestar esclarecimentos sobre o funcionamento e eventuais falhas de transmissão do item, mas não enviou posicionamento até o momento. O espaço permanece aberto para manifestações da empresa envolvida.








