–:–:–
Conecte-se conosco

Caso Benício: perícia analisa vídeo da defesa de médica em Manaus

Laudo não detectou edição no arquivo, mas delegado reforça que origem da filmagem permanece desconhecida e sem comprovação de veracidade.

2 visualizações
Caso Benício: laudo da perícia não encontra edição em vídeo da defesa de médica; delegado reafirma que material é clandestino

O Instituto de Criminalística do Amazonas concluiu a análise de um registro em vídeo apresentado pela defesa da médica Juliana Brasil, investigada pela morte do menino Benício Xavier de Freitas, de 6 anos. O exame pericial não encontrou evidências técnicas de cortes, edições ou inserções artificiais na gravação, embora tenha ressaltado limitações severas sobre a autenticidade do conteúdo.

Limitações técnicas do arquivo analisado O documento, datado de 6 de outubro, esclarece que o material consiste em uma filmagem de tela feita por um dispositivo externo, e não um arquivo de exportação direta do sistema. Por ser uma cópia recomprimida via aplicativo intermediário, o arquivo carece de metadados fundamentais, impossibilitando a identificação da data, hora, local ou do usuário que operava o sistema hospitalar no momento da captura.

Além da ausência de dados técnicos, a perícia destacou que parte da interface do computador estava obstruída por um caderno, impedindo a leitura de informações cruciais sobre a unidade de saúde ou o histórico do paciente. O som do vídeo também foi um ponto de atenção, já que não foi possível determinar se a ausência de áudio ocorreu durante a gravação original ou por manipulação posterior.

O posicionamento da autoridade policial O delegado Marcelo Martins, que conduz as investigações pelo 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), esclareceu que a perícia foi solicitada para sanar dúvidas sobre o cenário apresentado. Segundo ele, o foco da polícia nunca foi a edição do vídeo, mas sim a procedência do material e a possível manipulação do ambiente hospitalar.

“Nós aqui do 24° DIP nunca alegamos que o vídeo tinha sido adulterado ou editado. A nossa alegação era que a pessoa que estava manipulando esse sistema havia adulterado o cenário. Nós nunca alegamos que o vídeo tinha sido alterado. Tanto que no meu relatório final eu alego que esse vídeo é clandestino, ou seja, não se sabe onde foi feito, que computador foi usado”, afirmou.

Contexto do processo judicial Embora o inquérito policial tenha sido concluído com o oferecimento de denúncia contra a médica e a técnica de enfermagem Raiza Bentes Praia, o Tribunal de Justiça do Amazonas informou que novos laudos podem ser anexados e avaliados durante a fase de instrução processual.

Benício Xavier faleceu em novembro de 2025 após ser atendido em um hospital particular de Manaus com sintomas de laringite. A investigação aponta que a criança recebeu uma dosagem inadequada de adrenalina por via intravenosa, configurando, segundo a polícia, um erro médico grosseiro. O processo segue em curso, com a Justiça mantendo as rés sob acusação, enquanto o Conselho Regional de Medicina do Amazonas também apura as condutas profissionais envolvidas no atendimento.

Mais em Amazonas

Ver tudo →