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Brasileira presa na Tailândia relata julgamento e condenação por tráfico

Mary Hellen passou mais de quatro anos em presídio asiático e detalha como aceitou a pena para conseguir redução judicial.

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'Eu não tinha direito de falar nada': brasileira presa por tráfico relata como recebeu sentença na Tailândia

Após cumprir 4 anos e 7 meses de reclusão em território asiático, a brasileira Mary Hellen Coelho Silva detalhou os bastidores do processo judicial que enfrentou no exterior após ser flagrada com entorpecentes em um aeroporto internacional.

A prisão em flagrante e o início do processo

A detenção ocorreu em fevereiro de 2022, quando autoridades interceptaram a sul-mineira no aeroporto de Bangkok transportando seis quilos de cocaína divididos em três malas. A própria condenada admitiu publicamente que o propósito da viagem era realizar o transporte da substância ilícita.

O dia do julgamento e a imposição da pena

Ao recordar a audiência perante a justiça estrangeira, ela destacou a falta de espaço para argumentação de defesa.

“Eu não tinha direito de falar nada.”

“A gente não tinha direito de falar nada, eles falavam a situação, como foi, as provas que eles tinham e eles deram a sentença, que foi de 15 anos, e aí eles perguntaram pra mim se eu aceitava ou não”, relembrou.

“Eu disse sim, eu aceito, até porque lá na Tailândia você não tem muita escolha, não tem muita alternativa, lá é sim ou não”, disse.

Redução de sentença e conversão de multa

Segundo o relato, a postura de concordância imediata motivou os magistrados a abrandarem a punição estipulada inicialmente.

“Por eu ter aceitado, eles desligaram o microfone, conversaram por um tempo e depois eles ligaram novamente e disseram para mim: ‘Olha, pela sua boa índole de não querer brigar na justiça, de aceitar todo o ocorrido, a gente vai abaixar sua sentença para sete anos e seis meses’”, relatou.

Posteriormente, o tempo foi fixado em 7 anos e 6 meses, além de uma multa de R$ 109 mil. Como não possuía recursos financeiros para quitar o valor, a punição pecuniária foi convertida em mais dois anos de reclusão.

O cotidiano na prisão e o perdão real

Mesmo diante da condenação por tráfico internacional de drogas, a brasileira obteve a liberdade antecipada graças ao comportamento exemplar e ao trabalho exercido na padaria do presídio e na função de massagista. A defesa jurídica esclareceu que a soltura ocorreu por meio de um mecanismo específico do país asiático.

“O que ela foi suscetível foi o perdão real coletivo, que são em épocas específicas do ano, como por exemplo, aniversário da rainha, aniversário do rei ou alguma coroação real. Trazendo mais para a lei brasileira, o perdão real em si seria como se fosse um indulto natalino aqui”, explicou a advogada Sabrina Santos.

Dificuldades de comunicação e perdas pessoais

Enquanto cumpria a penalidade, a detenta enfrentou o falecimento da mãe, vítima de câncer, e a morte do avô. Além do luto, a defesa apontou obstáculos constantes na comunicação oficial com a cliente durante o período de reclusão em território estrangeiro.

“A gente tem essa dificuldade para poder fazer esse atendimento jurídico e para fazer esse atendimento de entender também o caso, para poder conversar também com a família. Então é uma dificuldade recurrentre. A gente tenta via e-mail, a gente tenta via ligação e a gente não obtém esse retorno”, afirmou a advogada.

Recomeço no Brasil

De volta a Pouso Alegre, no Sul de Minas, a brasileira tenta retomar a rotina e superar os anos vividos no sistema penitenciário asiático.

“Quando eu desci das escadas e coloquei o meu primeiro pé no chão, é como se tudo de ruim tivesse acabado comigo, como se eu tivesse deixado tudo para trás. Até minhas raivas, angústias, era como se tudo tivesse renovado”, concluiu.

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