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Ex-jogadoras da Seleção Brasileira inspiram alunas em escolas do Rio

Iniciativa Pioneiras nas Escolas promove encontro entre craques históricas e estudantes da rede municipal carioca.

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Ex-jogadoras da seleção de futebol incentivam alunas em escolas do Rio

O campo de futebol da Escola Municipal Juan Antonio Samaranch, em Santa Teresa, foi palco de um evento marcante na última quarta-feira (21). Ex-jogadoras que fizeram história com a camisa da Seleção Brasileira marcaram presença em um minitorneio exclusivo para alunas, marcando o lançamento do projeto Pioneiras nas Escolas, uma iniciativa que busca aproximar ícones do futebol feminino das novas gerações da rede pública.

A trajetória de luta contra o preconceito Antes de entrarem em campo, mais de 100 estudantes participaram de um debate com as ex-atletas Marisa Pires, Maria Lúcia Lima e Marilza Martins — conhecidas popularmente como Caju, Fia e Pelezinha. O diálogo abordou os desafios enfrentados por elas em uma época em que a prática do futebol feminino era proibida no Brasil, entre 1941 e 1979, por conta de um decreto que considerava o esporte incompatível com a natureza feminina.

Fia, de 62 anos, relembrou os obstáculos da carreira: “Sempre joguei com menino. Tinha talento. Não queria saber de machismo”. Já a ex-zagueira Caju, de 60 anos, compartilhou episódios de hostilidade que enfrentou nos gramados: “Vários torcedores diziam que mulher não servia para jogar futebol”. Ela destacou a resiliência do grupo: “Aquelas palavras mexiam com nosso ego, e a gente queria, mais e mais, mostrar que mulher sabe jogar futebol”.

Educação como pilar fundamental A coordenação do projeto é de Duda Luizelli, ex-atleta com passagens pelo Internacional e por clubes italianos. Ela ressalta que o incentivo ao esporte deve caminhar lado a lado com a formação acadêmica. “O estudo é muito importante porque, mesmo quem for ser atleta, jogadora de futebol, de vôlei, de basquete, terá uma carreira muito curta. Com 38, 39 anos, acabou a nossa carreira e nós temos que dar uma continuidade”, afirmou a bicampeã sul-americana.

Legado olímpico e o futuro da Copa A parceria com a Secretaria Municipal de Educação ocorre em um momento estratégico para o Rio de Janeiro, que será uma das cidades-sedes da Copa do Mundo Feminina em 2027. Caroline Guedes, coordenadora de Projetos Integradores da SME, enfatizou a relevância da ação: “É muito importante que a gente já esteja se preparando para esse momento e, mais do que isso, se preparando dentro do nosso primeiro ginásio olímpico, que é muito importante para nossa rede”.

Para as alunas, como Letícia Pereira, de 15 anos, o evento reforça a viabilidade de uma carreira esportiva: “Meu pai me leva lá, eu fico lá torcendo”. A escola Juan Antonio Samaranch, que funciona como Ginásio Experimental Olímpico (GEO), segue como referência na integração entre ensino integral e práticas esportivas, consolidando o legado deixado pelos Jogos Rio 2016.

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