A artista trans Raphaella Gomez, de 25 anos, conseguiu realizar o desejo de colocar próteses de silicone nos seios com o apoio financeiro e a articulação da atriz Marina Ruy Barbosa. As duas se conheceram durante os trabalhos de filmagem de uma produção audiovisual.
Encontro nos bastidores e apoio inesperado
A relação entre as duas começou nas gravações da segunda temporada da série Tremembé, do Prime Video. Enquanto Marina interpreta Suzane von Richthofen, Raphaella integra a equipe de maquiagem da obra. Durante os bastidores, a profissional compartilhou o desejo antigo de realizar a cirurgia plástica.
A artista plástica relatou a surpresa ao receber a notícia da famosa sobre a viabilização do procedimento cirúrgico. “Ela me ligou no meio do set [de filmagem] e falou: ‘Amiga, consegui a cirurgia para você e quero te ajudar. O dinheiro que estava guardando, use para outra coisa’. Eu fiquei assim: ‘Amiga, você está zoando? Mentindo? É brincadeira?’. Achei que era uma pegadinha por ser um sonho muito grande.”
Trajetória e identificação pessoal
Natural da Zona Noroeste de Santos, no litoral paulista, Raphaella relatou que o desejo de realizar a cirurgia surgiu na adolescência, período em que percebeu a incompatibilidade com as transformações corporais e assumiu sua identidade como mulher trans.
“Esse processo aconteceu de uma forma muito leve, pelo acolhimento que eu tive da minha mãe e a representatividade que ela teve na minha vida. Eu sempre fui uma mulher. Desde criança, eu me entendia enquanto uma pessoa diferente, só não sabia muito o que era”, completou.
Planejamento e alternativas pelo SUS
Trabalhando atualmente como artista plástica e caracterizadora de elenco sob o regime de Pessoa Jurídica (PJ), a profissional precisava de estabilidade financeira para arcar com os custos operacionais e garantir o período de repouso necessário após a intervenção cirúrgica.
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a colocação de próteses mamárias de silicone de forma gratuita para mulheres transexuais em processo de transição ou pacientes em tratamento oncológico. Embora tenha integrado a lista de espera da rede pública, Raphaella optou pela via particular devido à lentidão do sistema.
Parceria e laços de afeto
Após a realização do procedimento médico, a atriz usou as redes sociais para demonstrar carinho e apoio público à colega de trabalho. “Eu te amo muito e tenho muito orgulho e admiração da mulher que você é! ♥️ E ainda espero as bolinhas de queijo da tia Paulinha [mãe da artista]! Voa meu amor!”, escreveu a famosa.
Devido ao suporte fundamental na jornada de transição corporal, Raphaella passou a considerar a atriz como sua madrinha. “Na cultura LGBT, a gente tem essa coisa de apadrinhar. Todo esse processo da transição física, das mudanças corporais, são muito importantes para a gente e ela facilitou isso para mim”, pontuou.
Recuperação e autoaceitação
O cronograma de gravações ocorreu no primeiro trimestre do ano, enquanto a intervenção cirúrgica foi realizada recentemente. A jovem admitiu o medo inicial por ser a primeira cirurgia de sua vida, mas celebrou o sucesso do procedimento e a ausência de dores intensas durante a recuperação.
“Sinto que essa cirurgia sempre foi minha. Ter realizado esse sonho só me deu mais confiança. Eu me sinto muito gostosa quando me olho no espelho. Eu sinto que esse peito sempre foi meu. Não houve nenhum sentimento de estranheza”, concluiu Raphaella.








