A Polícia Civil de São Paulo está mobilizada para identificar os criminosos que realizaram uma transmissão ao vivo durante a agressão e o roubo contra o engenheiro ambiental e mestrando Marcelo de Oliveira Rocha, de 30 anos. O crime ocorreu em Santos, no litoral paulista, e resultou na morte da vítima após complicações decorrentes dos ferimentos.
Confirmação do óbito e transferência
O falecimento foi oficialmente declarado pela família após o protocolo de morte encefálica. Inicialmente internado na Santa Casa de Santos, o engenheiro foi transferido para o Hospital São Paulo, vinculado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A irreversibilidade do quadro foi atestada após a conclusão dos exames médicos necessários.
Dinâmica do crime durante ato político
O episódio aconteceu na madrugada de um sábado, quando a vítima participava de uma apresentação musical da Banda Esquerdantina, coletivo que manifestava apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Marcelo deixou temporariamente o evento para utilizar o banheiro e, nesse trajeto, foi interceptado por um grupo de pelo menos sete homens.
As cenas de violência foram gravadas e transmitidas em tempo real por meio da plataforma TikTok, alcançando dezenas de espectadores que acompanhavam a live. Durante a gravação, é possível ouvir a abordagem inicial dos criminosos:
“É o seguinte, parceiro. Só manda o telefone para nós não te matar. Ae, Ticório. Fala para ele como que é o passinho. Só não deixa ele correr. Dá o telefone, vai. Vai, maluco. Está vendo a tropa, né? A tropa vai te pegar”
<pEm seguida, conforme o registro audiovisual, a vítima reage dizendo "Não, espera aí", antes de ser atingida por um soco, cair no solo e ter seus objetos pessoais subtraídos. Ao perceberem que o engenheiro estava desacordado, um dos envolvidos comentou: "Vish, nossa. Dormiu, louco". A transmissão ainda contou com a interação de usuários que dividiam a tela com o agressor.
Investigação policial e socorro
O caso está sob responsabilidade do 4º Distrito Policial de Santos, com o respaldo da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP). A pasta informou que “Equipes da unidade analisam as imagens divulgadas e trabalham em busca de câmeras de monitoramento e outros elementos que auxiliem na identificação e prisão dos autores, bem como no esclarecimento dos fatos”. O boletim de ocorrência aponta que “a vítima foi agredida por diversos indivíduos e teve o celular e outros pertences roubados”.
Como a demora no banheiro chamou a atenção dos colegas, amigos iniciaram buscas e localizaram Marcelo inconsciente na esquina entre a Avenida Conselheiro Nébias e a Rua Henrique Ablas. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado pela administração municipal e realizou o socorro para a unidade hospitalar.
Repercussão e notas de repúdio
O coletivo musical Esquerdantina emitiu um posicionamento oficial lamentando o ocorrido, prestando solidariedade aos familiares e exigindo “a rápida apuração e consequente punição aos responsáveis”. Além de cobrar justiça, o grupo destacou a urgência de combater atos violentos motivados por intolerância:
“Manifestamos nossa solidariedade à vítima e seus familiares, bem como nosso firme repúdio à homofobia, alertando para os riscos que todos corremos ao naturalizar, proteger ou promover o ódio como método de intimidação política”







