–:–:–
Conecte-se conosco

Ex-diretora do BRB alertou sobre R$ 1,1 bi em atrasos no caso Master

Investigação da Polícia Federal revela mensagens de cúpula bancária e aponta 15 indiciados por fraude bilionária.

4 visualizações
'Fingindo demência': diretora do BRB alertou para R$ 1,1 bilhão em créditos atrasados, diz PF

A Polícia Federal revelou que a cúpula do Banco de Brasília (BRB) foi alertada internamente sobre graves irregularidades em carteiras de crédito adquiridas do Banco Master, transações que culminaram no indiciamento de 15 pessoas.

Problemas estruturais nas negociações Segundo relatórios divulgados no inquérito, a ex-diretora executiva de Controle e Riscos, Luana de Andrade Ribeiro, informou aos superiores que havia R$ 1,1 bilhão em créditos com atraso superior a 15 dias nas carteiras negociadas. Além da inadimplência elevada, o setor de Riscos não recebeu as devidas averbações dos contratos, documentos fundamentais para comprovar a natureza consignável dos ativos financeiros adquiridos.

Pressão interna e aval aos negócios Mesmo diante da falta de documentação comprobatória e da deterioração da liquidez da instituição financeira, os trâmites continuaram avançando. Mensagens obtidas pelos investigadores mostram que a diretora executiva relatou dificuldades para unificar as análises técnicas em um único parecer, descrevendo o cenário como uma operação fragmentada e relatando sofrer cobranças rigorosas da hierarquia.

“Tô fingindo demência com o chefe. Pra ele parar de brigar”, escreveu, segundo o inquérito.

Lista de suspeitos e desdobramentos O inquérito parcial entregue ao Supremo Tribunal Federal conta com mais de 700 páginas e traz nomes de peso no centro das suspeitas. Entre os 15 investigados apontados pela corporação estão Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master; Augusto Lima, ex-sócio do executivo; e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB.

Para a polícia, os executivos formavam o núcleo central de articulação que tentou concretizar a compra do banco privado pela instituição pública brasiliense, um negócio bilionário que acabou bloqueado pelo Banco Central após a descoberta de fraudes e papéis sem lastro.

Posicionamento das defesas Diante da repercussão do relatório policial, as defesas dos principais alvos manifestaram repúdio às conclusões preliminares apresentadas.

“A defesa de Daniel Vorcaro tomou conhecimento do relatório parcial apresentado pela Polícia Federal no Inquérito nº 5026/STF, que promove o indiciamento de Daniel. Trata-se de um ato açodado e afoito, que antecipa conclusões que a própria investigação admite ainda não ter alcançado: ● Indiciamento antes do fim da investigação: no mesmo documento em que indicia, a autoridade policial pede ao Supremo Tribunal Federal mais 60 dias para prosseguir nas apurações. Reconhece que exames periciais seguem “em elaboração”, que parte do material apreendido não foi analisada e que pessoas relevantes sequer foram ouvidas. Indicia-se primeiro para investigar depois. ● Inexistência de prejuízo ao BRB: o negócio envolvendo as carteiras da Tirreno não foi concluído. As carteiras foram substituídas por outros ativos, e a troca realizada demonstra que os negócios entre o Banco Master e o BRB geraram resultados positivos para o Banco de Brasília. Nenhuma perícia oficial apurou qualquer prejuízo: os números citados no relatório vêm da petição inicial de uma ação indenizatória movida pelo próprio BRB, que é parte interessada, e a própria Polícia Federal reconhece que não teve acesso ao resultado da auditoria sobre os ativos entregues em substituição. A defesa já pediu, na esfera cível, a perícia que sepultará definitivamente a narrativa fantasiosa de fraude e prejuízo. ● Lavagem de dinheiro sem rastreamento de recursos: o relatório imputa lavagem de capitais, mas registra que ainda está pendente a análise bancária, fiscal e patrimonial destinada a “identificar eventual proveito econômico” e “rastrear os fluxos financeiros”. Imputa-se a ocultação de valores cujo caminho sequer foi examinado. ● Indiciamento frágil e absurdo: as conclusões se apoiam em leitura seletiva de mensagens e em hipóteses formuladas “em tese”, e não em demonstração técnica. São operações embasadas em decisões técnicas e colegiadas das instâncias de governança de duas instituições supervisionadas pelo Banco Central. Agora são retratadas como crime sem que se tenha aferido seu resultado econômico. ● O depoimento que não vazou: Daniel Vorcaro prestou à Polícia Federal esclarecimentos decisivos sobre as operações com o BRB. Foi um depoimento esclarecedor e, curiosamente, justamente ele não foi vazado. ● Arquivamento do Inquérito e Revogação da Prisão: sem prova técnica de fraude ou de prejuízo, o indiciamento não se sustenta, e o inquérito relativo às operações entre o Banco Master e o BRB deve ser arquivado. Nesse contexto, torna-se urgente e imperativa a revogação da prisão preventiva de Daniel Vorcaro, garantindo-se seu direito de responder em liberdade. Brasília, 28 de outubro de 2026.”, destacou a nota da defesa de Daniel Vorcaro.

Por sua vez, os representantes de Paulo Henrique Costa criticaram o teor das acusações formuladas pela autoridade policial.

“A defesa de Paulo Henrique Costa, ex-Presidente do BRB, recebeu com surpresa o seu indiciamento pelos crimes de gestão fraudulenta e de organização criminosa. Pesa dizer que o trabalho policial submeteu os fatos às hipóteses acusatórias, quando deveria fazer o inverso. As conversas em aplicativos de mensageria nos celulares dos integrantes do ambiente Master mostram às escâncaras que Paulo Henrique não tinha conhecimento das fraudes nas carteiras. As testemunhas, sejam as ligadas ao BRB, sejam ao Master, são convergentes nesse tema. Também foram ignorados todos os documentos carreados aos autos, inclusive por autoridades públicas, como o Banco Central. Há prova eloquente de que foi Paulo Henrique a detectar irregularidades nas carteiras; de que ele exigiu, passo contínuo, 25 bilhões de garantias; de que quando o nome da Tirreno vem à lume, as operações são suspensas; há centenas e centenas de mensagens de Paulo Henrique ao Master exigindo a substituição de ativos, na forma dos contratos, inclusive se valendo daqueles dados em garantia. Foi Paulo Henrique quem trouxe o fato ao conhecimento do Banco Central, a quem se participaram todos os passos, antes e depois da detecção da fraude. Curiosamente, não se aponta nenhuma vantagem financeira de Paulo Henrique; a fantasiosa versão de recepção de apartamentos, na ordem de 150 milhões de reais, foi amplamente descartada, embora tenham fundamentado a prisão preventiva a que ainda está submetido, já há mais de 180 dias, sem revisão judicial, em ofensa a previsão expressa do Código de Processo Penal. Há pedido de liberdade provisória desde 12 de junho, pendente de opinião da PGR; há habeas corpus impetrado há 20, sem sequer remessa ao MPF. Paulo Henrique seguiu as orientações do acionista majoritário de realizar operação societária com o Master, seguiu toda a governança, dividiu todos os passos com o Conselho de Administração e com o Banco Central. Sempre atuou no melhor interesse do BRB. Todas as decisões, importante frisar, eram colegiadas; o Presidente do BRB tinha alçada de zero reais. Nenhuma decisão foi tomada por ele, sozinho. As autoridades usam enviesado microscópio na carteira de 12,2 bi – dos quais 10,5 bi foram substituídos por ativos hígidos, até sua remoção do cargo – e esquecem que a relação com o Master gerou 8 bilhões de reais de receitas; e seguem gerando, diga-se. Quando Paulo Henrique foi erradamente removido do BRB, o banco era saudável, líquido, rentável, com marca positiva e líder em diversos segmentos; sempre cumpriu seu relevante papel de banco público. Paulo Henrique sempre leal ao BRB e defendeu seu interesse; e seguiu fazendo na relação com o Master. Paulo Henrique e sua defesa seguem acreditando na Justiça e que a Procuradoria-Geral da República saberá reconhecer a totalidade dos elementos contidos nos autos; uma leitura idônea levará o Ministério Público Federal a descartar as hipóteses de gestão fraudulenta e a igualmente estapafúrdia conclusão de que Paulo Henrique integraria uma organização criminosa.”, afirmou a defesa do ex-presidente do banco estatal.

O caso segue sob análise do Supremo Tribunal Federal, onde o relator do processo avaliará o pedido da corporação por um prazo adicional para finalizar as perícias pendentes.

Mais em Distrito Federal

Ver tudo →