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Receita Federal apreende 17 toneladas de barbatanas de tubarão em SC

Carga milionária estava escondida em contêineres de sardinhas congeladas com destino à Malásia e revela crime ambiental de grande escala.

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Toneladas de barbatanas de tubarão apreendidas em SC podem valer R$ 16 mil por kg e são 'iguarias' na Ásia

Uma megaoperação da Receita Federal resultou na interceptação de 17 toneladas de barbatanas de tubarão no Porto de Itapoá, em Santa Catarina, na última terça-feira (27). O material ilícito estava oculto em sacos de ráfia, falsamente identificados como sardinhas congeladas, e tinha a Malásia como destino final. O flagrante foi possível graças a um trabalho estratégico de inteligência aduaneira, que identificou inconsistências na declaração de exportação.

Impacto ambiental e mercado ilegal

A dimensão da apreensão choca especialistas e autoridades ambientais. Segundo Gilberto Tragancin, chefe da equipe de Repressão Portuária do Paraná e de Santa Catarina, a estimativa é de que mais de 17 mil tubarões tenham sido mortos para a obtenção do volume encontrado. A cobiça pelo produto é impulsionada pelo alto valor de mercado no Leste Asiático, onde o quilo da barbatana pode chegar a US$ 3 mil, aproximadamente R$ 16 mil.

O peso cultural e o status social

A alta demanda internacional pelas nadadeiras está intrinsecamente ligada a tradições gastronômicas. Em entrevista ao g1 em 2023, o analista ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) Leandro Aranha explicou que o produto é utilizado principalmente no preparo de sopas e está associado às classes sociais mais favorecidas da região. Segundo ele, o consumo da iguaria também é visto como um símbolo de status social.

Fiscalização e combate ao shark finning

Embora a legislação brasileira permita a pesca de tubarões sob regras restritas, a prática do shark finning — o corte exclusivo das nadadeiras com descarte do restante do corpo do animal — é rigorosamente proibida. O Ibama assumiu a responsabilidade pela perícia técnica das espécies apreendidas. A investigação segue em curso para localizar os mentores da fraude, contando com a possível colaboração da Polícia Federal.

O Porto de Itapoá declarou que presta todo o suporte necessário aos órgãos fiscalizadores, reforçando seu compromisso com a conformidade legal. Este caso entra para a história como uma das maiores apreensões desse tipo em Santa Catarina, alcançando uma marca semelhante à de uma operação realizada no estado durante o ano anterior.

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