A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, restabeleceu neste domingo (1º) as retiradas de bitcoin, ether e algumas stablecoins, com a promessa de liberar gradualmente os demais ativos digitais. A decisão veio logo após a empresa conseguir recompor 95% dos US$ 6,3 bilhões (R$ 34,2 bilhões) em tokens que foram levados de sua plataforma durante uma invasão cibernética.
Hackers e investigação do FBI O ataque, que pode representar o maior assalto financeiro da história de acordo com especialistas, aconteceu em aproximadamente 20 minutos a partir da noite de quinta-feira. O FBI apontou o grupo de hackers TraderTraitor, vinculado ao governo norte-coreano, como o responsável pela ação criminosa.
A Coreia do Norte nega sistematicamente o uso de cibercrimes estatais para financiamento e espionagem. No entanto, o FBI relatou que agentes norte-americanos flagraram os suspeitos convertendo o montante furtado majoritariamente em ether, antecipando novas tentativas de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de finanças descentralizadas (DeFi).
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou no sábado que o governo ainda apura a autoria exata do crime. “Não sabemos se é a Coreia do Norte, mas, se for, conversaremos com a Coreia do Norte sobre isso”, disse Trump a repórteres no sábado.
Estratégia de recuperação e fundos de garantia Para cobrir o rombo, a corretora utilizou capital próprio na aquisição de tokens de substituição, totalizando US$ 6 bilhões (R$ 32,5 bilhões) repostos. Os 5% restantes correspondem a ativos de menor liquidez, cuja aquisição exige mais tempo.
O co-CEO Yi He informou que metade do Secure Asset Fund for Users (SAFU) — fundo de proteção de cerca de US$ 1 bilhão (R$ 5,4 bilhões) — foi acionada, além de reservas do caixa da empresa e fundos de seguros de operações de futuros. A Binance prometeu restabelecer o fundo SAFU integralmente em breve.
Complexidade do ataque e impacto no mercado O outro co-CEO da plataforma, Richard Teng, classificou o episódio como um “ataque complexo” que explorou um notebook comprometido com malware capaz de apagar rastros operacionais. A invasão gerou quedas generalizadas nas cotações dos criptoativos na sexta-feira.
Apesar do incidente, o fundador da Binance, Changpeng Zhao, utilizou as redes sociais para agradecer o suporte do governo norte-americano no congelamento e rastreio dos fundos, destacando o papel fundamental das autoridades dos EUA para evitar uma desvalorização ainda maior do mercado. “Um post não consegue expressar totalmente nossa gratidão. Muitos entusiastas de criptomoedas podem não perceber, mas grande parte do mérito por o bitcoin não ter caído ainda mais é deles”, escreveu Zhao.








