A trajetória da Igreja Católica no Acre ganha um novo capítulo neste domingo (1º) com a posse solene de Dom Antônio Fontinele de Melo como o sexto bispo da Diocese de Rio Branco. A cerimônia religiosa ocorre a partir das 8h na Catedral Nossa Senhora de Nazaré, situada no Centro da capital acreana, marcando a transição após o longo período liderado por seu antecessor.
As raízes da fé católica nos seringais Antes mesmo da formalização institucional, a religiosidade na região floresceu por meio de devoções populares e orações trazidas por nordestinos a partir de 1877, em meio ao ciclo da borracha. Naquela época, o território respondia administrativamente à Diocese de Manaus, vinculando-se à paróquia de Lábrea, no Amazonas.
O cenário começou a mudar em 1920, quando o papa Bento XV instituiu a Prelazia Acre-Purus. O religioso italiano Dom Próspero M. Bernardi assumiu como o primeiro bispo prelado, liderando missões pioneiras que desbravaram os rios e seringais para atender comunidades isoladas até 1944. Anos mais tarde, em 1948, Dom Júlio Mattioli assumiu a função, impulsionando a criação de obras sociais e dando início à construção da icônica Catedral Nossa Senhora de Nazaré, finalizada em 1958.
O Concílio Vaticano II e a transformação em diocese A instituição passou por importantes reformulações estruturais e espirituais sob a batuta de Dom Giocondo M. Grotti entre 1965 e 1971. Ele representou a prelazia no Concílio Vaticano II, em Roma, aplicando as diretrizes globais da Igreja no contexto amazônico e convocando a primeira Assembleia Geral da região.
A guinada definitiva para o status atual aconteceu durante o episcopado de Dom Moacyr Grechi, que conduziu a instituição de 1973 a 1998. Foi em sua gestão que a prelazia se transformou na Diocese de Rio Branco. Além da criação de pastorais voltadas para a juventude e para os povos indígenas, o bispo destacou-se pela firme atuação em defesa dos direitos humanos em meio a violentos conflitos agrários no estado.
A longa gestão de Dom Joaquín Pertíñez O antecessor imediato, Dom Joaquín Pertíñez, assumiu a liderança em 1999 e conduziu os trabalhos por 27 anos. O religioso promoveu Santas Missões Populares, fundou a Escola Diaconal e ampliou o suporte social da Igreja. No entanto, fragilizado por questões de saúde, ele apresentou um pedido de renúncia que foi aceito pelo Papa Leão XIV em 1º de julho, tornando-se bispo emérito.
A transição e o perfil de Dom Antônio Após a saída de Dom Joaquín, Dom Antônio Fontinele de Melo assumiu a administração apostólica em julho, vindo da Diocese de Humaitá, no Amazonas. Em 18 de setembro, o Papa Leão XIV o oficializou como o novo titular do posto acreano. Nascido no Ceará em 1968 e ordenado sacerdote em 1999, ele possui vasta experiência pastoral acumulada na Arquidiocese de Porto Velho.
A escolha da Catedral Nossa Senhora de Nazaré para a celebração deste domingo carrega um profundo significado eclesiástico, funcionando como o marco da unidade entre clero e fiéis.
“A catedral tem um simbolismo muito importante no conjunto da diocese. Para a gente fazer uma comparação, um corpo sem uma cabeça é uma coisa anormal. Uma diocese sem uma catedral é uma coisa acéfala. Então não tem cabeça. O bispo representa a cabeça da diocese. É simbólico e natural que a posse, o dia que ele toma possessão dessa igreja particular, seja na igreja catedral”, explicou o padre Manoel, reitor da catedral.
Para acomodar o público aguardado na solenidade, a organização do evento estruturou uma área externa com tendas e telões, permitindo que a comunidade acompanhe todos os detalhes da festividade religiosa.
“Todos os padres, freiras, seminaristas, diáconos, paróquias, comunidades [estarão presentes]. Então será um dia festivo. Será montado um grande telão lá fora, junto às tendas, com uma estrutura para acolher os fiéis”, afirmou o padre.








