A vida de Fataumata Oumou Baradfi, de 30 anos, mudou drasticamente com o nascimento de seus quadrigêmeos no Instituto Cândida Vargas (ICV), em João Pessoa. A chegada dos bebês exigiu uma operação complexa da unidade de saúde, que destacou uma força-tarefa composta por 9 médicos, 6 enfermeiros e 6 técnicos de enfermagem para assegurar o sucesso do procedimento e a sobrevivência dos recém-nascidos.
A jornada transcontinental em busca de segurança
A vinda da gestante para a capital paraibana foi uma estratégia articulada por sua prima, Mamacila Baradfi, residente no Brasil. A decisão baseou-se na necessidade de suporte médico para uma gravidez de alto risco, estrutura que não estava disponível no Mali. O médico obstetra Antônio José dos Santos, amigo da família, destacou a importância da escolha: “Fatoumata faz parte da família Baradfi. São clãs muito unidos. São famílias antigas, com gerações e gerações na Costa do Marfim e no Mali, e agora também no Brasil. Eles mantêm vínculos muito fortes com suas tradições, embora existam algumas adaptações por terem vindo para o Ocidente, onde as coisas são um pouco diferentes. A família decidiu que ela viesse para o Brasil, as chances de um bom resultado seriam maiores. As crianças estão recebendo um atendimento excelente e evoluindo muito bem. Sem essa estrutura e essa quantidade de recursos, provavelmente a evolução não teria sido tão boa”.
Sentimentos e superação na gestação
Ao descobrir a gestação múltipla, Fataumata enfrentou um turbilhão de emoções, mas manteve a serenidade. “Foi uma grande surpresa. Fiquei em choque quando descobri, chocada, mas também estava contente. Depois, fiquei muito feliz, como não é a minha primeira vez, já sei como cuidar de crianças, então para mim está sendo muito bom”, compartilhou. Sobre a mudança para o Brasil, ela acrescentou: “Decidimos vir ao Brasil para buscar melhores cuidados, ter mais saúde e prosperidade. A gravidez não foi tão difícil. Apenas a barriga que estava pesada, mas correu tudo bem e não tive nenhum problema de saúde. Na África, vamos tentar nos habituar e reorganizar a nossa rotina diária. Vamos ter uma assistência para organizar como será o nosso dia a dia a partir de agora”.
Tradição e fé na chegada dos bebês
Para a família, que professa o islamismo, os quatro novos integrantes são vistos como uma dádiva divina. Mamacila ressalta que a valorização da maternidade é um pilar cultural: “Nós somos muçulmanas. Ela se casou há muito tempo e, até então, tinha apenas dois filhos. Na religião muçulmana, há o costume de ter muitos filhos. Ela já tinha duas crianças e, depois de cinco anos, as pessoas poderiam perguntar por que ela não queria ter outro filho ou engravidar novamente. Mas, para nós, ter filhos é algo importante”. Os nomes escolhidos — Cheick Hamala, Aboubakar, Ibrahim e Marietou Yasmina — honram a memória dos avós e as raízes familiares.
Cuidados e apelo por auxílio
Atualmente, os prematuros estão sendo acompanhados pelo Método Canguru, que promove o contato pele a pele para acelerar o ganho de peso. Sob supervisão da médica Camila Medeiros, a mãe recebe suporte constante da enfermagem. Como a demanda diária chega a 36 fraldas, a família busca apoio da comunidade. Doações de fraldas e vestuário podem ser entregues na Assistência Social do Instituto Cândida Vargas para auxiliar na manutenção dos cuidados básicos dos bebês.








