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Por que gestantes russas estão escolhendo dar à luz em João Pessoa?

A busca por um atendimento humanizado e o acolhimento durante a gestação atraem famílias da Rússia para a capital da Paraíba.

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Busca por parto humanizado fez russa escolher João Pessoa: 'na Rússia não existe essa veneração às grávidas'

A capital paraibana consolidou-se como um refúgio para mulheres russas que buscam uma experiência de gestação e parto mais humanizada. Longe de Moscou, essas futuras mães encontram em João Pessoa um ambiente que valoriza o acompanhamento próximo e o bem-estar durante a gravidez, elementos que, segundo elas, são escassos em seu país de origem.

O contraste entre a cultura russa e a brasileira

Viktoriia Baskakova, que já residiu em diversos países antes de fixar residência na Paraíba, destaca que a motivação para a mudança envolve a forma como a sociedade enxerga a maternidade. “Na Rússia não existe essa veneração às grávidas, como tem aqui. Ter um acompanhante no parto, bem, geralmente custa muito caro, mas além disso tem muitos obstáculos e os médicos não são muito a favor. E eu diria que lá tem intervenções mais brutais”, relatou.

Após conhecer as praias e se adaptar ao clima, a família decidiu estabelecer raízes na cidade. “Conhecemos a cidade, vimos as praias, depois nos demos bem com o clima. Foi a primeira vez na vida que eu e meu marido concordamos plenamente que íamos ficar por aqui mesmo e construir a vida justamente aqui”, contou.

Aumento da demanda no atendimento médico

O fenômeno é acompanhado de perto por profissionais de saúde locais. Guilherme Carvalho, ginecologista e obstetra, observa um crescimento significativo na procura por seus serviços por parte de famílias russas nos últimos 18 meses. “Inicialmente eu achava que era mais pela cidade, João Pessoa está recebendo muitos turistas estrangeiros, mas pontualmente eu comecei a perceber, nesse ano, uma demanda muito grande de russos especificamente. Porque eu já tinha atendido italiana, já tinha atendido ucraniana, já tinha atendido portuguesa. Atualmente eu estou fazendo um pré-natal de 12 pacientes russrs”, disse.

Superação da barreira linguística

Para garantir a qualidade do atendimento, o suporte à comunicação é fundamental. A doula Thayana Jovino explica como o processo ocorre na prática: “A grande maioria, elas vão com uma tradutora, uma pessoa para estar ali traduzindo e para a comunicação fluir melhor, mas outras a gente acaba usando realmente o tradutor (…) A gente, ao longo dos acompanhamentos, da vinculação, a gente vai ganhando uma intimidade e vai também aprendendo junto com eles e facilitando essa conversa”.

A tecnologia também é uma aliada constante nas consultas. Guilherme Carvalho detalha o uso de ferramentas específicas: “Eu tenho um equipamento que ele me ajuda muito porque ele, eu falo em português e elas escutam em russo, elas falam em russo e eu escuto em português. Nas prescrições, eu tento também sempre adaptar. Assim como alguns materiais que a gente dá sobre os cuidados na gravidez. Então, as meninas se adaptam, colocam em russo para que elas tenham esse acolhimento e que essa linguagem também fique mais fácil”.

Contexto migratório e suporte emocional

Especialistas apontam que fatores geopolíticos e a busca por um modelo de assistência menos intervencionista impulsionam o fluxo migratório. A doutora em Relações Internacionais, Leila Bijos, ressalta a importância do fator humano na medicina brasileira: “As russas sentem falta de conversar, de trocar ideias, porque a mãe fica muito insegura na gestação, principalmente nos últimos meses. Então, isso no Brasil é importantíssimo, porque os nossos médicos são amigos”.

Atualmente, Viktoriia atua como doula, oferecendo suporte a outras mulheres que passam pelo mesmo processo de adaptação. Ela reforça o papel fundamental desse acolhimento: “É muito necessário esse apoio às mulheres em geral, quando estão em um país diferente, em um lugar bem incompreensível. Eu tento passar para os meus filhos essa vivência positiva, mostrar as vantagens de viver aqui para os meus filhos mais velhos. Como uma já nasceu e a outra vai nascer aqui logo, elas vão crescer nessa cultura, já vão fazer parte dessa sociedade naturalmente e, na minha visão, vai ser até mais fácil para elas, de certa forma”.

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