Oito meses após o deslizamento de terra que devastou o Bairro Jardim Natal, em Juiz de Fora, o eletricista de manutenção Celso Fernandes conseguiu finalmente retirar seu veículo dos escombros. O carro havia sido arrastado pela força do solo durante o temporal de fevereiro, que marcou uma das tragédias mais graves da região, deixando 66 mortos.
Operação de resgate do veículo
A remoção do automóvel, que estava parcialmente soterrado e pendurado em um barranco, foi realizada nesta quarta-feira pela Defesa Civil com o apoio de maquinário pesado. A área onde o bem estava localizado faz parte de um perímetro onde diversos imóveis, condenados pelas autoridades após o desastre, passam por processos de demolição. Para Celso, o momento trouxe um misto de alívio e recordações difíceis.
“Sempre que passava por aqui, ficava com aquela sensação ruim ao ver o carro pendurado e pensava: ‘Como vou fazer? Será que vou conseguir tirá-lo dali?’”
Impacto na rotina familiar
Durante todo esse período, a mobilidade da família de Celso foi drasticamente comprometida. Para manter suas atividades essenciais, ele dependeu do empréstimo do automóvel de seu filho. Apesar das dificuldades, o reencontro com o veículo trouxe uma surpresa positiva em relação ao estado de conservação, superando as expectativas iniciais do proprietário.
“Eu pensava que ele ia sair em um estado bem pior. Talvez nem conseguisse sair de lá. A gente estava olhando o carro por dentro e viu que algumas pessoas entraram e acabaram levando algumas coisas. Mas isso não é um prejuízo tão grande perto do que poderia ter acontecido, como ele ter tombado, ficado todo amassado ou até dado perda total.”
Esperança de recuperação
Embora o carro seja um modelo mais antigo, o valor sentimental e a necessidade prática impulsionam o morador a buscar uma solução. O próximo passo é realizar uma avaliação técnica detalhada para verificar se o custo de reparos na funilaria e na mecânica é viável.
”Vamos ver se compensa consertar porque é um carro mais antigo, mas nem por isso não deixa de ser querido.”
Refletindo sobre o trauma vivido e a importância de seguir em frente, Celso demonstra resiliência diante dos danos materiais sofridos.
“Acho que só de falar que a gente está vivo já é uma grande vitória. E agora, com o carro na mão, vamos tentar recuperar.”
“Vamos deixar o trabalho por conta dele (mecânico) agora. A preocupação agora é do mecânico e da funilaria. A minha já está mais ou menos resolvida aqui.”








