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Pai e filho matam jovem em Roraima por crença em lenda indígena

Suspeitos alegaram que a vítima seria um canaimé e registraram o crime brutal em vídeos compartilhados por aplicativos de mensagens.

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Pai e filho são suspeitos de matar jovem acreditando que ele era 'canaimé', figura maligna na crença indígena

Um crime de extrema violência chocou a comunidade indígena Caracanã, em Uiramutã, no Norte de Roraima, na última terça-feira (3). Um homem de 63 anos e seu filho, de 25, foram detidos pela Polícia Militar sob a acusação de terem assassinado José da Silva Santana, de 25 anos. Os suspeitos confessaram o ato, justificando que a vítima seria um canaimé, figura mística conhecida na região como rabudo.

Entenda a lenda do canaimé

Na cultura indígena local, o canaimé é personificado como um ser maligno dotado de poderes sobrenaturais. A crença popular atribui a essa entidade a prática de feitiços, o uso de venenos e a capacidade de realizar rezas que culminam em sofrimento ou morte. O mito sugere que o ser pode se tornar invisível ou assumir formas de animais para atacar durante a noite, sendo ainda associado a rituais onde, após o ataque, o agressor costuma colocar folhas dentro do corpo da vítima.

Dinâmica do homicídio e provas

O assassinato de José da Silva Santana foi marcado por requintes de crueldade, incluindo disparos de arma de fogo, golpes de faca e decapitação, seguido pela carbonização do corpo. A Polícia Militar apreendeu no imóvel dos suspeitos uma espingarda e uma foice, além de uma faca encontrada na cena do crime.

A versão dos detidos foi amparada por gravações feitas por eles mesmos e disseminadas em grupos de WhatsApp. Em um dos registros, a vítima aparece sob coação, confirmando ser um canaimé e alegando ter a “capacidade de se transformar em animais.”

Investigação em curso

Os suspeitos relataram aos agentes que transportavam a vítima da comunidade Flexal quando o jovem tentou escapar, momento em que decidiram matá-lo. Após receberem denúncias, policiais militares foram guiados por moradores até o local onde o corpo foi deixado. A área foi isolada para o trabalho da perícia e do Instituto Médico Legal (IML), que chegaram ao local na quarta-feira (4). O caso foi registrado como homicídio qualificado por motivo fútil e segue sob apuração da Polícia Civil de Pacaraima.

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